Os talibãs responsabilizaram este domingo os Estados Unidos pelo caos no aeroporto de Cabul, onde milhares de afegãos continuam a tentar fugir do país, e defenderam que a situação deve parar “o mais depressa possível”.

"A América, com todo o seu poder e equipamento (...), não conseguiu levar a ordem ao aeroporto. Há paz e calma em todo o país, mas só há caos no aeroporto de Cabul (...) Isto tem de acabar o mais depressa possível", disse Amir Khan Mutaqi, um dos líderes dos talibãs, citado pela agência France-Presse.

Milhares de famílias afegãs aterrorizadas estão a tentar fugir através do aeroporto, embora Washington tenha alertado para as ameaças à segurança no local e a União Europeia tenha dito que é impossível retirar toda as pessoas ameaçadas pelos talibãs.

Desde que entraram em Cabul em 15 de agosto, os militantes islamistas têm tentado convencer a população de que mudaram, afirmando que as suas políticas serão menos brutais do que quando governaram o país entre 1996 e 2001.

Esta manifestação de intenções não convenceu milhares de afegãos que continuam a tentar sair do país desde há uma semana, com a ajuda de militares estrangeiros.

Nos últimos sete dias, 12 pessoas morreram nas imediações do aeroporto de Cabul.

Um jornalista que integrava um grupo de profissionais dos ‘media’ e académicos que tiveram a sorte de entrar hoje no aeroporto descreveu cenas de pessoas desesperadas a agarrarem-se aos autocarros.

"Eles estavam a mostrar-nos os seus passaportes e a gritar 'leva-nos contigo, por favor leva-nos contigo'", disse o jornalista à AFP. "O combatente talibã no camião à nossa frente teve de disparar no ar para os dispersar", acrescentou.

 

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