Vários jornalistas foram espancados pelos talibãs na altura em que tentavam reportar uma manifestação de mulheres esta quinta-feira no centro de Cabul, no Afeganistão.

Inicialmente, um grupo de cerca de 20 mulheres conseguiu desfilar no centro da capital do Afeganistão durante quase uma hora e meia para defender o direito ao ensino e ao trabalho.

O protesto foi seguido de perto pelas forças talibãs que acompanharam o protesto.

"Desemprego, pobreza e fome" e "Queremos trabalhar" foram algumas das palavras de ordem das manifestantes que se apresentaram com lenços pretos, casacos e calças coloridas no protesto que pedia a reabertura das escolas para jovens estudantes do sexo feminino. 

A última manifestação de mulheres no Afeganistão ocorreu a 30 de setembro e foi dispersada pelos talibãs poucos minutos depois de ter começado

Esta quinta-feira, os jornalistas presentes foram impedidos de se aproximarem das manifestantes e proibidos de fotografar ou filmar o protesto tendo sido violentamente afastados pelos talibãs que se encontravam no local.

Um dos repórteres foi atingido pela coronha de uma espingarda de assalto e ameaçado pelos talibãs que o retiraram do local.

Esta não é a primeira vez que jornalistas são violentados pelo grupo islâmico ao cobrir protestos de mulheres afegãs. No início do mês de setembro, vários repórteres foram detidos durante uma manifestação, por representarem "perigo para a segurança nacional".

As mulheres não foram atacadas fisicamente durante a marcha mas foram insultadas pelos talibãs, disse à France Presse uma das organizadoras do protesto.

Esta é a situação: os talibãs não respeitam nada, nem os jornalistas, nem os habitantes locais, nem os estrangeiros nem as mulheres", disse Zahra Mohammadi que esteve envolvida na organização da manifestação de Cabul.

A minha mensagem para todas as raparigas deste país é a seguinte: 'Não tenham medo dos talibãs e mesmo que as vossas famílias não vos deixem sair de casa, não tenham medo, saiam, venham, façam sacrifícios, lutem pelos vossos direitos para que as coisas mudem na próxima geração'", disse a mesma ativista.

/ PF