Várias mulheres afegãs denunciaram nas redes sociais terem sido trancadas numa cave de um banco, numa tentativa talibã de as impedir de participarem num protesto em Cabul, esta terça-feira.

Vários manifestantes invadiram as ruas da capital depois de um dos líderes da resistência anti-talibã ter convocado um “movimento nacional” contra o grupo fundamentalista um dia antes.

Fotografias mostram manifestantes a discutir com combatentes dos talibãs, ao mesmo tempo que uma mulher olha diretamente para uma rifle M-16 apontado ao rosto.

Imagens captadas por um telefone revelam ainda uma mulher num estacionamento subterrâneo que gira em seu redor e desvenda uma multidão composta quase exclusivamente por mulheres e algumas crianças presas no mesmo espaço.

 

 

O vídeo, publicado nas redes sociais, é interrompido rapidamente após uma voz masculina ser ouvida a gritar.


 

Miraqa Popal, um dos diretoros do canal de notícias local Tolo News, partilhou o curto vídeo no Twitter, escrevendo que algumas testemunhas disseram que as mulheres estavam a ser retidas no banco Azizi para que não “se juntassem às manifestações”.

O dia desta terça-feira foi marcado por vagas de protestos contra o regime talibã em Cabul, um movimento que saiu à rua para defender os direitos das mulheres, do trabalho e da livre circulação de pessoas e de bens.

 

 

 

Manifestantes foram ainda vistos a entoar mensagens contra o Paquistão, denunciando a “intrusão” do país, num momento em que é acusado de fornecer apoio aéreo aos Talibãs.

Em resposta, talibãs dispararam tiros para o ar para dispersar os manifestantes e, segundo reporta a comunicação local, fizeram várias detenções.

 

As manifestações ocorreram numa altura em que o principal porta-voz dos talibãs ter anunciado que Mohammad Hassan Akhund vai assumir a chefia do novo Governo afegão - concedendo altos cargos a jihadistas veteranos, numa tentativa de trazer estabilidade ao Afeganistão -, mais de três semanas depois da tomada do poder pelo movimento extremista islâmico.

Em resposta, a diplomacia da União Europeia (UE) criticou esta quarta-feira a formação do novo governo afegão por não ser “nem inclusivo nem representativo” da diversidade étnica e religiosa, vincando que não corresponde “ao que os Talibãs prometeram nas últimas semanas”.

Hassan Akhund chefiou o Governo dos talibãs durante os últimos anos do seu anterior regime (1996-2001), enquanto Baradar, que liderou as negociações com os Estados Unidos e assinou o acordo para a retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão, é um dos seus dois adjuntos.

O porta-voz anunciou ainda a nomeação de Yaqub, fundador do movimento e chefe de Estado de facto do Afeganistão durante o anterior regime) para ministro da Defesa e de Sirajuddin Haqqani (líder da rede Haqqani, grupo de guerrilheiros ligado à Al-Qaeda, encarregado da segurança em Cabul) para o Interior.

Amir Khan Muttaqi, negociador dos talibãs em Doha, chefiará o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

“O Governo não está completo”, sublinhou ainda o porta-voz, assegurando que o movimento, que prometeu um executivo “inclusivo”, vai tentar “arranjar pessoas de outras regiões do país”.