Uma camada de algas marinhas está a invadir uma larga extensão do Oceano Atlântico entre as praias do Golfo do México e a costa ocidental de África. É uma camada de algas de dimensões nunca antes vista pelos cientistas. 

Tratam-se de Sargaços -  algas marinhas comuns em regiões tropicais, que costumam crescer colados em rochas à beira-mar, mas podem espalhar-se pelo oceano.

De acordo com a CNN, baseados na análise de imagens obtidas atráves de satélite, os cientistas afirmam que a mancha que se criou entre o Golfo do México e África Ocidental é a maior do mundo. Alertam também para o possível desastre ecológico e para as consequências no turismo.

Este crescimento anormal destas algas acontece desde 2011, altura em que houve uma grande afluência de sargaço na costa desde Trindade até à República Dominicana e ainda na costa Oeste de África, mas este ano espalhou-se em quantidades maiores e numa extensão mais alargada no oceano. De acordo com a CNN, em 2018, as algas estenderam-se por mais de 8.850 quilómetros e, no total, foram mais de 20 milhões de toneladas de biomassa registadas. Os investigadores usaram um registo de 19 anos de dados de satélite para estudar esta alga.

O uso de fertilizantes é um dos principais fatores responsáveis pelo aparecimento destas algas. 

As acumulações de sargaço têm sido um problema no estado de Quintana Roo, localizado no extremo Sudeste do México. Cerca de mil quilómetros de praias mexicanas foram atingidas este ano.

Citado pelo jornal mexicano El Universal, Carlos Joaquin González, governador desse estado, disse que as acumulações são maiores nos municípios de Puerto Morelos, Playa del Carmen e Mahahual. Segundo o Secretário da Ecologia e do Ambiente mexicano, Alfredo Arellano, já foram retirados mais de 120 mil metros cúbicos em sete municípios desde o final de Junho.

Algumas espécies de Sargaços vivem na superfície dos oceanos, onde atraem peixes, pássaros e tartarugas.

"No oceano aberto, o Sargaço fornece grandes valores ecológicos, servindo como habitat e refúgio para vários animais marinhos", afirma o investigador Menggiu Wang. 

Por outro lado, as algas podem sufocar corais e outras algas marinhas, acabando nas praias  libertando um gás com um cheiro muito forte. "É um cheiro a ovo podre", afirmou a Dra, Hu. 

Neste momento, para resolver a situação – além da remoção manual ou com máquinas – foi criado o Comité Estatal Técnico-científico com várias instituições científicas para que se meça o dióxido de carbono libertado pelo sargaço, se recolham várias informações meteorológicas e se estude o futuro uso da alga, que agora é usado como alimento para o gado.

Também já começaram a ser montadas barreiras – que não afectem as áreas protegidas – para conter e desviar o sargaço dentro do mar e evitar que chegue às praias. A ideia é redireccionar estas algas através das correntes marinhas.