O desperdício de plástico está a ser aproveitado para a construção de escolas na Costa do Marfim.

Este é um projeto entre o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a empresa colombiana Conceptos Plasticos, que transforma os resíduos plásticos em tijolos utilizados na construção de salas de aulas. 

Em comparação com as infraestruturas convencionais, estas escolas, para além de sustentáveis, demoram apenas cinco dias a serem construídas, custam quase metade do preço e são mais resistentes.

De acordo com a BBC, a primeira escola construída com esta técnica foi inaugurada em 2018, na comunidade de Gonzagueville. A parceria entre a UNICEF e a Conceptos Plásticos já ajudou a construir 26 salas de aula, sendo o objetivo chegar às 528 nos próximos dois anos.

Esta pode ser a solução para cerca de 1,6 milhões de crianças que não vão à escola por falta de salas de aula, um problema que os professores relatam às organizações de ajuda humanitária.

"Nós estamos a trabalhar em condições muito extenuantes”, revelou Angeline, professora numa escola da Costa do Marfim há mais 40 anos. Muitas das vezes, ensina mais de 100 alunos ao mesmo tempo.

Precisamos de mais salas de aulas", contou a professora à UNICEF.

Este é também um projeto que serve como primeiro passo para um objetivo ainda maior.

Esta abordagem inovadora para transformar resíduos de plástico em tijolos, tem o potencial de transformar a gestão destes resíduos numa oportunidade, ao direcionar os direitos de acesso à educação através da construção de escolas, ajudando estas comunidades e ao mesmo tempo limpando o ambiente”, explicou Norman Muhwezi, especialista da UNICEF em inovação, que lidera este projeto.

A produção diária de plástico na cidade de Abidjan, capital da Costa do Marfim pode chegar às 288 toneladas, sendo que a grande maioria destes resíduos acaba em aterros sanitários de cidades e vilas muito pobres, como a Gonzagueville, poluindo o ar e espaços comuns onde as crianças costumam brincar.

O plástico tornou-se também um negócio nesta região: várias pessoas vendem plástico para garantir a sua sobrevivência e a das suas famílias. Adja, uma mulher com 30 anos e mãe de três filhos, alerta para os perigos na saúde das crianças devido à permanência destes resíduos nas ruas.

Às vezes o plástico não vende bem e nós temos de guardá-lo nas nossas casas durante semanas. As nossas crianças estão a ficar doentes por isto, mas não temos outra opção se não esperar até que o valor do plástico volte a subir.” explicou a mãe à UNICEF.

A gestão imprópria dos lixos é responsável por 60% dos casos de malária, diarreia e pneumonia em crianças: doenças que estão entre as maiores causas da mortalidade infantil na Costa do Marfim.

/ AMA