O vírus da sida já deixou órfãs 14 milhões de crianças na África Subsariana, um número que aumenta anualmente e que segundo o presidente da Associação de Parlamentares Europeus para África (AWEPA) revela a necessidade de maior ajuda internacional, noticia a Lusa

A situação das crianças órfãs e vulneráveis pelo VIH/sida foi o tema de um seminário que decorreu esta terça-feira, em Lisboa, promovido pela Assembleia da República em parceria com a AWEPA.

A AWEPA é uma organização não governamental internacional - com cerca de 1500 membros de entre antigos e actuais deputados parlamentares oriundos do Parlamento Europeu - que apoia os parlamentos em África e cuja missão é manter Africa no topo da agenda política da Europa.

Segundo o presidente desta associação, Jan Nico Scholten, a África Subsariana é a mais afectada por este flagelo que já deixou 14 milhões de crianças sem o pai ou sem a mãe. Moçambique, África do Sul, Suazilândia e Malawi são os países onde se registam mais casos.

Scholten defendeu que os políticos devem ler estes números e fazer assentar as suas políticas nestes factos reais da vida, tomando medidas que apostem na protecção social às crianças e as famílias.

Apoio não deve abrandar

E num momento em que o mundo vive uma crise financeira, adiantou, o financiamento a programas internacionais de apoio a estes países não deve abrandar, antes pelo contrário. «Não foi a África que criou a crise financeira e a crise ambiental, fomos nós os países desenvolvidos», frisou.

Em Moçambique, a prevalência da Sida situa-se nos 16 por cento numa população com 90 milhões de pessoas, um taxa muito alta na opinião da representante da UNICEF naquele país e responsável pelo sector de protecção à criança.

Segundo Theresa Kilbane, apesar de já ter havido algum progresso ao nível do apoio às crianças afectadas pelo flagelo da Sida é ainda necessário o apoio internacional para complementar as actividades desenvolvidas pelo governo moçambicano.

Programas locais

Moçambique é um pais onde 58 por cento das crianças vivem abaixo do limiar da pobreza e onde se estima que mais de 30 por cento nascem por ano com HIV, metade dos quais morrendo antes de completar um ano.

Embora o acesso à saúde, educação e protecção tenha melhorado, adiantou, o desafio do presente e do futuro é continuar a apostar em programas locais.

Por outro lado, a responsável da UNICEF em Moçambique considerou fundamental a criação de uma base de dados sobre o atendimento as crianças e vulneráveis.

O seminário que hoje se realizou em Lisboa faz parte do programa da Awepa de co-financiamento temático «proteger os valores da democracia», financiado pelo governo holandês com o objectivo de facilitar a cooperação e a troca de experiências entre políticos e deputados no que diz respeito aos problemas socio-económicos mais importantes como o VIH/SIDA.

Segundo a organização, o objectivo é reforçar o diálogo entre os parlamentares africanos e europeus e aumentar a acção parlamentar no que diz respeito às crianças órfãs e vulneráveis, o VIH e a sida.
Redação / AV