A Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla original) aprovou esta quinta-feira dois tratamentos contra a covid-19 com base em anticorpos. De acordo com o comunicado oficial, os medicamentos Ronapreve e Regkirona podem ser utilizados de diferentes formas.

De acordo com aquilo que foi recomendado pelo Comité para a Utilização de Produtos Médicos em Humanos (CHMP, na sigla original), o Ronapreve deverá ser utilizado no tratamento de adultos e adolescentes (com pelo menos 12 anos e mais de 40 quilos) que não precisem de respiração assistida e que estão em risco de desenvolver uma forma mais grave da doença.

O Ronapreve também pode ser usado para prevenir a covid-19 em pessoas com pelo menos 12 anos e que pesem pelo menos 40 quilos", acrescenta a nota da EMA sobre o tratamento desenvolvido pela farmacêutica Roche.

Quanto ao Regkirona, desenvolvido pela húngara Kft, escreve a EMA que servirá para tratar adultos que não precisem de respiração assistida e que estejam em risco de desenvolver uma doença grave.

O CHMP vai agora enviar as recomendações para a Comissão Europeia para que as decisões tomem forma legal.

O Ronapreve e o Regkirona são os primeiros medicamentos de anticorpos monoclonais a receber uma avaliação positiva da CHMP e a juntarem-se à lista de produtos aprovados", acrescenta a nota, que menciona o medicamento Remdesivir.

Os anticorpos monoclonais são proteínas utilizadas para definir um alvo específico. No caso da covid-19 será a proteína spike, utilizada pelo SARS-CoV-2 para entrar nas células humanas.

Para chegar a esta conclusão, o CHMP avaliou dados de vários estudos, que mostram que o tratamento com Ronapreve e Regkirona "reduz significativamente as hospitalizações e mortes em doentes em risco de desenvolverem doença grave".

Outro estudo mostrou que o Ronapreve reduz as hipóteses de ser infetado se um membro do agregado familiar foir infetado", pode ler-se.

O estudo para o Ronapreve envolveu pacientes com covid-19 que não necessitavam de assistência respiratória e que estavam em risco de desenvolverem doença grave. Ao todo, apenas 0,9% dos 1.192 doentes tratados com este medicamento foram hospitalizados ou morreram, número que aumentou para 3,4% no grupo de 1.193 pessoas a quem foi administrado o placebo.

Quanto ao Regkirona, 3,1% dos 446 doentes foram hospitalizados ou morreram, número que subiu para 11,1% nos que tomaram o placebo.

António Guimarães