A União Europeia (UE) poderá prescindir de administrar a vacina da AstraZeneca no segundo semestre, uma vez que, por essa altura, deverá estar “suficientemente abastecida” de vacinas, afirmou a secretária de Estado da Indústria de França, Agnès Pannier-Runacher, numa entrevista à Radio Classique.

Em entrevista à estação de rádio francesa, Pannier-Runacher esclareceu que a UE "precisa da AstraZeneca até ao final do primeiro semestre", respondendo a uma pergunta sobre a possibilidade de, à semelhança do Estados Unidos da América, não administrar o fármaco.  

A partir do segundo semestre, as entregas de vacinas vão ser muito importantes na Europa e, de facto, não é impossível que não tenhamos de recorrer à AstraZeneca", explicou a secretária de Estado francesa.

Recorde-se que, de acordo com os contratos firmados pela União Europeia, cerca de 300 milhões de de doses de vacina deverão ser entregues no segundo trimestre. O triplo do número de doses que vão chegar no primeiro.

Ainda assim, Pannier-Runacher reforçou a confiança no processo de autorização da vacina britânica por parte da Agência Europeia do Medicamento, lembrando que a agência "foi muito clara" ao afirmar que o benefício do uso dessa vacina é "suficientemente importante" se colocado em relação aos potenciais riscos de efeitos secundários. Em causa estão as situações de coágulos sanguíneos que foram encontrados em pessoas a quem a vacina foi administrada.

As palavrass da governante francesa surgem num altura em que a relação entre UE e AstraZeneca continua conturbada. Além da notificação de reações adversas, a farmacêutica anglo-sueca tem falhado nas metas contratualizadas, revendo em baixa as doses que previa entregar aos 27 Estados-membros.

Só no primeiro trimestre, para o qual estavam previstas mais de 100 milhões de doses, a AstraZeneca entregou menos de 30 milhões.