O jornalista norte-americano Glenn Greenwald, fundador do The Intercept Brasil foi esta quinta-feira agredido durante a participação num programa de rádio no Brasil.

Tudo começou quando Glenn Greenwald discutia com o jornalista brasileiro Augusto Nunes, colunista da revista Veja e conhecido pelas suas posições conservadoras e pelas críticas que fez à investigação "Vaza Jato" da equipa do The Intercept Brasil, que colocou em causa a imparcialidade dos investigadores da operação Lava Jato. Greenwald foi um dos autores da investigação que atingiu o juiz Sergio Moro, atual ministro da Justiça de Bolsonaro.

O programa "Pânico", na rádio Jovem Pan, convidou Greenwald para uma entrevista, mas sem o jornalista americano saber levou para estúdio também Augusto Nunes, que sugeriu que o tribunal de menores investigasse a forma como Greenwald e o seu marido, o deputado David Miranda, educam os seus filhos.

A meio da conversa, Greenwald chama "cobarde" a Augusto Nunes três vezes, ao que o brasileiro, após empurrões mútuos, responde com um murro. De seguida, ambos se levantam e a troca de insultos e empurrões prossegue até que  jornalistas da rádio Jovem Pan os separaram e interrompem o programa.

 

"O que ele fez foi a coisa mais feia e suja que alguma vez testemunhei na minha carreira como jornalista", disse Greenwald. 

Greenwald despertou a ira dos apoiantes do governo de Jair Bolsonaro por ter divulgado uma série de reportagens chamada "Vaza Jato", onde foram revelados procedimentos ilegais dos investigadores da Lava Jato e do então juiz da operação, Sergio Moro, hoje ministro do governo, nomeadamente no processo que levou Lula da Silva para a prisão

No Twitter , o filho de Jair Bolsonaro expressou o seu apoio a Augusto Nunes. Eduardo Bolsonaro, deputado, disse que Augusto Nunes "reagiu como qualquer pessoa normal com sangue nas veias poderia reagir".

Na mesma plataforma, Glenn Greenwald pronunciou-se sobre Augusto Nunes e o apoio do movimento Bolsonarista ao uso da violência na política, considerando que é "perigoso para a democracia".

O jornalista americano foi também o fundador do site que denunciou o escândalo do sistema de vigilância americano da NSA, conhecido como Caso Edward Snowden, que lhe valeu um Pulitzer, a maior distinção do jornalismo norte-americano.