Cerca de meio milhão de pessoas morreram nos últimos dez anos na guerra da Síria, revela o último balanço do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que confirmou recentemente mais 100 mil vítimas do conflito no país. 

A guerra começou em 2011 com a repressão contra manifestações em Damasco pela implementação de regras democráticas e envolve, nos últimos dez anos, várias forças regionais e grandes potências, tendo também provocado milhares de refugiados. 

A intensidade dos combates diminuiu em 2020 devido ao cessar-fogo no noroeste da Síria, sobretudo em Idleb, último bastião dos radicais islâmicos.

Os esforços contra a propagação da pandemia de SARS-CoV-2 também fez diminuir os atos de guerra.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, organização não-governamental com sede em Londres e com uma vasta rede de fontes médicas e militares na Síria, contabilizou até hoje 494.438 vítimas mortais desde o princípio da guerra. 

O último balanço elaborado pelo observatório tinha sido divulgado no passado mês de março e indicava a morte de 388 mil pessoas, vítimas do conflito armado.

O diretor da organização não-governamental, Rami Abdel Rahmane, disse hoje à France-Presse que uma grande parte das vítimas civis (42.103) sucumbiu aos atos de tortura nas prisões do regime de Damasco.

"A maioria das mortes registou-se entre o fim de 2012 e o final de 2015", acrescentou.  

No total, desde o início da guerra, morreram 159.774 civis, entre os quais 25 mil crianças e jovens com menos de 18 anos.

Segundo o observatório, os ataques do regime e das milícias aliadas foram responsáveis pela maior parte das mortes entre a população civil.

Mais de 160 mil combatentes do regime, na maior parte soldados sírios, foram mortos ao longo dos anos e morreram 1.707 elementos aliados de Damasco pertencentes ao movimento xiita libanês Hezbollah (Partido de Deus).  

O conflito fez também 79.844 mortos entre as forças "rebeldes" e morreram 68.393 radicais islâmicos, principalmente dos grupos extremistas Estado Islâmico e do Hayat Tahrir al-Sham (HTS), ex-associado sírio da Al Qaeda.

O observatório documenta também 57.567 mortos nas prisões governamentais e centros de detenção do regime de Bashar al-Assad. 

O organismo de defesa dos Direitos Humanos precisa que este balanço não inclui 47 mil detidos que "terão sido mortos" durante atos de tortura nas prisões das forças de Damasco porque são dados que ainda não foram confirmados. 

Após uma série de vitórias militares, a partir de 2015, e graças ao apoio da Rússia e do Irão, o governo de Damasco passou a controlar dois terços do território.

No poder desde o ano 2000, quando sucedeu ao pai, Hafez al-Assad, que governou a Síria durante três décadas, Bashar al-Assad foi reeleito chefe de Estado este mês para um quarto mandato de sete anos. 

As eleições decorreram em pleno marasmo económico, com uma depreciação da moeda sem precedentes, uma inflação galopante e numa altura em que 80% da população vive abaixo do limiar da pobreza (de acordo com os índices das Nações Unidas).

Um documento recente a organização não-governamental World Vision estimou que os custos económicos imediatos da guerra ascendem aos 1.200 mil milhões de dólares.

/ RL