A filha ilegítima de Alberto II, rei da Bélgica entre 1993 e 2013, ganhou uma longa batalha judicial para ser declarada princesa, anunciou o seu advogado, nesta quinta-feira, citado pela agência noticiosa France-Presse, após decisão do tribunal do Bruxelas.

Sete anos depois de Delphine Boel ter iniciado o processo de reconhecimento de paternidade, a artista belga, de 52 anos, vai agora poder mudar o seu nome para o do seu pai. Os seus filhos, Josefina e Oscar, também se tornam princesa e príncipe e serão designados “Sua Alteza Real”.

Ela está satisfeita com esta decisão que põe fim a um longo e doloroso processo para ela e para a sua família. Uma vitória legal nunca irá substituir o amor de um pai, mas oferece um sentido de justiça”, afirmou o advogado de Delphine, Marc Uyttendaele.

Em maio do ano passado, Alberto II foi praticamente obrigado a fornecer uma amostra de saliva para confirmar se era ou não o pai biológico da artista Delphine Boel, de 52 anos. O monarca estava condenado ao pagamento de cinco mil euros diários até consentir o teste de parternidade.

O caso começou em 1999, quando uma biografia não autorizada da mulher do rei referiu, pela primeira vez, a existência de um filho fora do casamento. Em 2005, Boel aponta Alberto II como pai biológico, durante uma entrevista. A mulher alegava que Alberto II teve um caso com a mãe, a baronesa Sybille de Selys Longchamps entre 1966 e 1984, quando Alberto ainda era princípe de Liège.

Alberto II, hoje com 85 anos, viria a subir ao trono belga em 1993, ocupando o lugar do falecido irmão. Acabaria por abdicar 20 anos depois, em 2013, o mesmo ano em que Boel iniciou a luta judicial para provar a ligação familiar ao monarca.

Após avanços e recuos processuais, os tribunais belgas decretaram em fevereiro de 2019 que Alberto II deveria apresentar uma amostra de saliva no prazo de três meses, de forma a descobrir a verdade sobre a alegada ligação familiar entre os dois.

Depois de passado o prazo para a submissão da amostra de ADN, a justiça da Bélgica ordenou, a 16 de maio, o pagamento de cinco mil euros diários até Alberto II dar a amostra de saliva. 

Catarina Machado