Milhares de extremistas de direita participaram numa manifestação contra as restrições impostas pela pandemia de covid-19 na Alemanha, em agosto, que culminaram na tentativa de invasão do Parlamento, disseram esta quarta-feira as autoridades.

O chefe do serviço de inteligência do estado de Berlim, Michael Fischer, disse aos legisladores que uma análise preliminar das imagens do protesto de 29 de agosto indica que “pelo menos 2.500 a 3.000 extremistas de direita e membros do (movimento radical) Cidadãos do ‘Reich’ participaram nas manifestações”.

O movimento Cidadãos do ‘Reich’, que congrega elementos de várias organizações de extrema-direita, contesta a legitimidade da Constituição alemã pós-Segunda Guerra Mundial.

Fischer disse que várias das pessoas que aparecem nas imagens de vídeo captadas pelas câmaras foram identificadas como extremistas de direita, com base nas roupas envergadas, bandeiras, símbolos e ‘slogans’.

Para além disso, sem dúvida, havia também pessoas a participar dos eventos que não puderam ser identificadas como extremistas de direita ou cidadãos do ‘Reich’, com base na sua aparência externa”, disse Fischer, que acrescentou que alguns dos manifestantes provavelmente pertenciam aos mesmos círculos de extremistas considerados hostis à Constituição alemã.

Fischer reconheceu que as autoridades receberam com antecedência informações sobre a manifestação, na qual alguns dos 4.000 participantes incentivaram o ataque ao edifício do parlamento e que oficiais de segurança discutiram essa ameaça numa reunião dois dias antes do evento, mas sem acreditarem que o plano fosse executado.

As tentativas de alguns dos manifestantes de invadir o Parlamento, em Berlim, foram amplamente condenadas pelas autoridades alemãs, mas alguns legisladores também criticaram a aparente falta de preparação da polícia na capital, referindo que apenas alguns agentes confrontaram os manifestantes nas escadas do edifício, antes da chegada de reforços.

/ AG