É a grande questão do momento: o que vai acontecer no Natal? Será que poderemos estar com toda a família, será possível fazer deslocações. O Governo português ainda não traçou um plano claro para a quadra festiva, ainda que o primeiro-ministro já tenha deixado a entender que não serão possíveis grandes ajuntamentos, como forma de conter a propagação da pandemia de covid-19.

António Costa afirmou até que ficaria surpreendido caso o estado de emergência não estivesse em vigor durante o Natal, sendo que essa é uma situação que, atualmente, tem vigência legal até ao dia 8 de dezembro, podendo ser renovada a cada 15 dias.

Mas, se em Portugal ainda existe alguma indefinição, muitos países da Europa já anunciaram medidas concretas para os últimos dias de 2020, sendo que algumas delas poderão vir a ser replicadas no nosso país.

Alemanha

O país decidiu encerrar os tradicionais mercados de Natal, mas o governo pretende dar o máximo de normalidade possível às celebrações familiares. Uma proposta ainda não aprovada a nível nacional foi conhecida esta semana, e o mais certo é que as medidas mais restritivas se apliquem nos locais mais afetados pelo menos até 20 de dezembro.

Até essa data, hotéis, restaurantes e ginásios dessas áreas vão continuar fechados. A população deve ficar em casa o máximo possível, por forma a evitar as deslocações e o contacto pessoal.

O plano de Angela Merkel centra-se sobretudo numa ação concentrada em cerca de três semanas que tem como objetivo poder aliviar as medidas mesmo antes da quadra natalícia.

Até lá, os ajuntamentos privados ficarão limitados a dois agregados familiares num total de cinco pessoas, sendo que as crianças com menos de 14 anos não contam para o total.

A utilização de máscara mantém-se obrigatória em todos os edifícios públicos, bem como nas lojas e nos transportes. Está ainda a ser estudada a hipótese de se aplicar o uso de máscara obrigatório na rua sempre que não seja possível manter o distanciamento social, uma medida ao jeito daquela que já está em vigor em Portugal.

Este é o plano até pelo menos 20 de dezembro, e o governo alemão espera que, caso dê resultado, seja possível aliviar restrições para a última semana do ano.

Assim, e caso os níveis de contágio se mantenham controlados, o executivo traçou um pacote de medidas um pouco menos restritivas para a semana entre 23 de dezembro e 1 de janeiro.

Os ajuntamentos passam a poder envolver pessoas de mais de dois agregados familiares, com o número total a dever passar para dez pessoas, sendo que os menores de 14 anos devem continuar a não ser contabilizados.

As igrejas vão poder celebrar as missas e cerimónias, ainda que seja pedido que se evitem os grandes eventos.

Natal em Berlim

Sendo um estado federado, a Alemanha confere uma maior autonomia às suas regiões, que deverão poder decidir entre o alívio de restrições de forma independente, sempre que o número de casos se apresente abaixo do objetivo definido (50 casos por 100 mil habitantes numa semana).

Os estados que não são zonas de risco e que consigam ficar abaixo do objetivo estabelecido de uma forma sustentada devem ter a oportunidade de aliviar as restrições", disse a social-democrata Manuela Schwesig, primeira-ministra do estado de Mecklenburg-Western Pomerania, em declarações à rádio Deutschlandfunk.

Aquele estado apresenta atualmente 46 casos por 100 mil habitantes na semana anterior, mas Manuela Schwesig já disse que as restrições não serão aliviadas a menos que esse número desça para 35.

Os líderes regionais vão reunir-se na quarta-feira com a chanceler alemã para apresentar as suas propostas sobre possíveis medidas adicionais para alcançar uma redução das infeções pelo SARS-CoV-2.

As autoridades de saúde alemãs registaram 13.554 novas infeções pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas - ficando longe dos 23.648 casos de sexta-feira - e 249 mortes pela covid-19.

Bélgica

É um dos países mais fortemente atingidos pela segunda vaga, e foi também um dos primeiros a esgotar a capacidade de internamento em vários hospitais, levando à necessidade de transferir doentes para outros estados-membros da União Europeia.

O primeiro-ministro, Alexander De Croo, já começa a pensar no surgimento de uma terceira vaga, numa altura em que a segunda já atingiu o pico no país.

Ou contemos uma terceira vaga no Natal ou originamos uma terceira vaga no Natal", disse de forma taxativa.

Tal como António Costa, também De Croo deu um lado mais pessoal, tentando passar o exemplo à população. O primeiro-ministro belga revelou que iria passar o Natal apenas com a mulher e os dois filhos.

Natal em Bruxelas

Apesar disso, o governo vai permitir a realização de um festival de Natal nacional, que tem data marcada para 6 de dezembro.

O Centro de Crise da Bélgica apelou a toda a população que evite sair do país durante as festas, admitindo que pode haver uma "grande tentação" em tentar ir para locais com menos restrições.

Em sentido contrário, está proibida a entrada de pessoas vindas do Espaço Schengen ou do Reino Unido, que normalmente circulariam de forma livre para a Bélgica.

Espanha

O governo espanhol prepara-se para divulgar a estratégia para o final do ano, mas o jornal El Mundo já teve acesso ao documento.

O executivo começa por recomendar que todas as celebrações se façam apenas com membros do mesmo agregado familiar, sendo que, caso haja alguém fora desse grupo, os ajuntamentos ficarão limitados a seis pessoas, número limite de ajuntamentos atualmente em vigor na maioria das regiões.

É ainda esclarecido que, em casos de agregados familiares de dez pessoas, o ajuntamento será permitido.

Estas restrições devem aplicar-se nos quatro dias festivos (24, 25 e 31 dezembro e a 1 de janeiro).

Estas são algumas das propostas que constam do esboço elaborado pelo Ministério de Saúde, que agora vai apresentar o plano ao Conselho Interterritorial, que deverá analisar o documento e discuti-lo com as comunidades autónomas.

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Durante as celebrações manter-se-à o recolher obrigatório noturno, sendo que não poderá haver ninguém na rua entre as 01:00 e as 06:00. Atualmente o recolher obrigatório vigora a partir das 23:00.

Recomenda-se ao máximo que se evitem as reuniões de âmbito social (celebrações de trabalho, antigas reuniões de escola, ajuntamentos de clubes desportivos, etc.). No caso de haver celebrações destas, o máximo de pessoas é de seis e deve ser feito preferencialmente no exterior", acrescenta o documento.

Quanto a deslocações, o governo pede que se evitem ao máximo aquelas que não forem estrictamente necessárias. Serão permitidas as viagens entre regiões, mas com a máxima precaução.

No caso de viagens internacionais, quem chegue a Espanha vindo de um país considerado de risco deve apresentar um teste de diagnóstico ao novo coronavírus com resultado negativo e que tenha sido realizado nas 72 horas antecedentes à chegada.

O documento pede aos estudantes universitários que regressam a casa para as férias "que limitem as interações sociais nos dias que antecedem o seu regresso a casa e que reforcem as medidas preventivas”.

Temos dois desejos: estar e acarinhar aqueles de quem mais gostamos, e a obrigação de protegê-los. Sem dúvida que a nossa grande aspiração é sobreviver e poder celebrar mais natais na companhia dos nossos entes queridos", disse o primeiro-ministro, Pedro Sánchez.

França

O governo francês ainda não anunciou quais os planos para as últimas semanas do ano, mas é esperado que o presidente, Emmanuel Macron, trace as linhas gerais de um desconfinamento ainda esta semana.

França foi, de longe, o país mais afetado pela segunda vaga na União Europeia. Foi o único estado-membro a ultrapassar os 50 mil casos diários, algo que motivou um enorme stress sobre os hospitais.

Natal em Paris

Neste momento, os números apresentados dão alento às autoridades, que acreditam que será possível um aligeirar das medidas para a quadra natalícia.

As primeiras medidas deverão ser para aplicar de forma mais imediata, com um foco virado sobretudo para a economia, onde lojas como livrarias ou cabeleireiros têm sido fortemente afetados.

Para já, e relativamente ao Natal, é apenas sabido que não vão existir pistas de gelo em Paris e que os mercados de Natal foram cancelados.

Os últimos dados mostram que França está já abaixo dos cinco mil casos diários, encontrando-se ao mesmo nível de Portugal por exemplo, sendo que tem cerca de seis vezes mais habitantes.

Itália

Também em Itália ainda está em estudo o plano para o Natal, mas o ministro da Saúde, Roberto Speranza, admitiu que possa existir uma liberdade de movimento no país, ainda que isso só possa ser possível caso todas as regiões estejam na chamada zona amarela.

Apesar da incerteza, o governo já admitiu que as celebrações terão de ser mais contidas este ano. Deslocações para ver familiares, organização de festas e jantares e até compras de Natal não são permitidas por agora em algumas zonas

Temos de nos preparar para um Natal mais contido. Celebrações, beijos e abraços não vão ser possíveis", disse o primeiro-ministro, Giuseppe Conte.

Neste momento, apenas quatro (Lazio, Molise, Sardenha e Veneto) das vinte regiões italianas estão em zona amarela, considerada de risco moderado, um sistema em tudo parecido àquele que atualmente vigora em Portugal, mas que se aplica regionalmente, em vez de ser por concelhos.

Itália deve ver prolongado o estado de emergência a 3 de dezembro, altura em que se espera que o governo anuncie medidas mais concretas para o Natal e o Ano Novo.

Por agora, a única medida concreta é a proibição dos mercados de Natal.

Reino Unido

O governo britânico lançou esta segunda-feira o "Plano de Inverno", onde traça linhas gerais para a gestão da pandemia no último mês do ano, que prevê algum alívio de medidas na semana de festas.

De forma mais imediata, Boris Johnson anunciou o fim do confinamento já para o dia 2 de dezembro, data em que vários negócios, como ginásios ou cabeleireiros, vão poder voltar a abrir.

Os ajuntamentos passam a ser permitidos até seis pessoas, quando eram de apenas duas até aqui.

Natal em Londres

Relativamente ao Natal, a estratégia é concertada para todo o Reino Unido, e o documento divulgado pelo governo fala numa "mudança temporária" das restrições sociais.

O Natal vai ser diferente este ano, mas queremos assegurar-nos que as pessoas conseguem ver os seus entes queridos", diz a nota do governo.

As celebrações religiosas voltam a ser possíveis em todo o território. Sobre os comportamentos pessoais, o governo pede que as pessoas façam testes e que se isolem, caso seja necessário.

António Guimarães