Os alemães que revelarem possuir anticorpos contra o novo coronavírus vão receber, em breve, "certificados de imunidade", que lhes permitirão deixar de estar sujeitos às medidas de contenção da propagação da Covid-19 no país, como o isolamento social, e retomar a vida habitual mais cedo que a restante população.

A notícia é avançada pela revista Der Spiegel e relata que o projeto está a ser desenvolvido por investigadores do Centro Helmholtz para a Investigação de Doenças Infecciosas, em Braunschweig.

Se esta ideia for aprovada, os cientistas querem lançar, já nas próximas semanas, 100.000 testes  a anticorpos ao novo coronavírus. Os exames em causa são desenhados para detetar se a pessoa sujeita ao procedimento desenvolveu anticorpos à Covid-19, o que indica que, em caso afirmativo, contraiu o vírus no passado e que, por isso, construiu imunidade.

Gerar Krause, um dos cientistas que faz parte do projeto, explicou à Der Spiegel que às pessoas que se venham a revelar imunes "poderia ser-lhes dado um cartão de vacinação que, por exemplo, lhes permite ficarem isentos das restrições nos seus trabalhos".

Já testes positivos em grandes quantidades, poderiam ajudar os governos a aligeirar as medidas de contenção do vírus em áreas com imunidade de grupo. Desta maneira, seria possível mitigar os efeitos trágicos da pandemia na atividade económica, uma vez que a população imune retomaria a vida habitual.

Inglaterra tem um plano semelhante a este. Porém, os cientistas ainda não estão certos sobre até que ponto uma infeção pelo vírus, no passado, pode impedir uma nova infeção no futuro, e, caso impeça, por quanto tempo o corpo humano permanece imune, depois da infeção.

A Alemanha tem uma das mais baixas taxas de mortalidade no mundo associadas à Covid-19. Alguns especialistas garantem que este resultado se deve ao grande número de testes aplicados pelo governo de Angela Merkel.

Emanuel Monteiro