O ministro da Economia alemão, Peter Altmaier, afirmou-se convicto de que a Alemanha conseguirá evitar uma nova fase de confinamento, apesar do ressurgimento de novos de infeção com covid-19 no país e nos seus vizinhos europeus.

“Estou convencido de que podemos e vamos evitar um segundo confinamento geral”, disse Altmaier em declarações aos jornalistas, numa altura em que se prevê que a recessão em 2020 na Alemanha deverá ser menos profunda do que o previsto.

O governo alemão reviu a previsão conjuntural para 2020, apontando para uma quebra de 5,8% do Produto Interno Bruto (PIB), menos intensa do que os -6,3% inicialmente estimados.

“A recessão no primeiro semestre foi menos forte do que receávamos e a retoma está a ser mais rápida e dinâmica do que tínhamos antecipado”, explicou o ministro.

Como resultado, acrescentou, o crescimento em 2021 será ligeiramente menos intenso, com um ritmo previsto de 4,4%.

Por sua vez, o mercado de trabalho alemão parece estar a iniciar uma viragem positiva, com a taxa de desemprego no país a permanecer estável nos 6,4% em agosto, segundo os dados corrigidos de variações sazonais hoje publicados, enquanto o desemprego parcial começou a diminuir em junho.

As medidas de restrição impostas para tentar conter a pandemia estão a provocar alguma tensão na Alemanha, onde cerca de 40.000 pessoas participaram no sábado numa manifestação apelando ao “fim de todas as restrições em vigor” contra a covid-19, à margem da qual houve uma tentativa de invasão do Reichtag, o parlamento nacional.

Mais de mil novos casos num só dia

A Alemanha voltou a registar um aumento dos novos casos de covid-19, 1.218 nas últimas 24 horas, depois de dois dias abaixo da barreira das mil novas infeções.

De acordo com o Instituto Robert Koch (RKI), o país regista um valor total de 243.599 total de casos desde o início da pandemia de covid-19, entre os quais 217.600 já foram considerados curados.

Há mais quatro vítimas mortais em relação ao dia anterior, totalizando 9.302.

O primeiro caso conhecido de covid-19 na Alemanha foi registado em janeiro, com o pico da doença a ser identificado no final de março e primeira semana de abril, com 6.000 novos contágios diários.

A Renânia do Norte-Vestefália, o estado federado mais populoso e o segundo maior do país, continua a ser o que regista o maior número de casos desde o início da pandemia de covid-19, um total de 59.023 (336 só nas últimas 24 horas).

A região registou um novo surto num casamento, onde 23 dos 85 convidados já testaram positivo. Segundo informações divulgadas hoje pelas autoridades, um total de 850 moradores do distrito de Frechen estão em quarentena.

O ministério da Saúde da Alemanha está a equacionar a possibilidade de enviar testes para laboratórios veterinários, de acordo com o jornal “Zeit”. O objetivo, de acordo com um porta-voz, é aumentar a capacidade já a partir de outubro, aumentando o controlo dos grupos de risco.

Com o regresso das férias de verão e o retomar das aulas, a necessidade de testar a população tem subido, com alguns laboratórios a denunciarem falta de reagentes.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 847.071 mortos e infetou mais de 25,2 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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