O massacre desta quarta-feira na Alemanha não é um caso isolado no país. Nos últimos 45 anos, há pelo menos registo de mais dois tiroteios, em escolas alemãs, que acabaram com vítimas mortais. À semelhança do que se passou em Winnenden, onde foram assassinadas 16 pessoas, em 2002, na escola secundária de «Johann Gutenberg», em Erfurt, foram mortas também 16 pessoas. Em 1964, na escola primária de Volkhoven, em Colónia, foram executadas 10 pessoas.

No dia 26 de Abril de 2002, Robert Steinhauser de 19 anos, que tinha sido expulso da escola secundária de «Johann Gutenberg», entrou dentro do estabelecimento com duas armas de fogo e matou 13 professores e 2 alunos. À chegada da polícia, o ex-aluno ainda disparou um tiro mortal na cabeça de um oficial. Steinhauser acabou por ser fechado numa sala por um professor, onde se suicidou.

O outro caso germânico conhecido remonta a 1964. Aconteceu em Colónia. Walter Seifert, um veterano da segunda Guerra Mundial, armado com um lança-chamas, matou dois professores, oito alunos e feriu outros 22 com queimaduras graves. O assassino, de 42 anos, diagnosticado com esquizofrenia, dizia ser Adolf Hitler II. Seifert acabou por se suicidar, ingerindo uma lata de insecticida.

Casos finlandeses

Os casos mais recentes de crimes deste género, na Europa, aconteceram nos anos de 2007 e 2008 na Finlândia. Os dois crimes têm contornos semelhantes na forma em como foram preparados e na maneira em como acabaram. Tanto num como noutro caso, antes das ocorrências, foram difundidos vídeos no Youtube, que antecipavam o que aconteceria mais tarde.

Em 2008 o estudante Matti Juhani Saari, de 22 anos, matou 10 pessoas na Universidade de Ciências Aplicadas de Kauhajoki com uma pistola semi-automática. Antes do atentado, Saari publicou no Youtube um vídeo onde exibia armas de fogo.

No ano anterior, Pekka-Eric Auvinen de 18 anos, aluno da escola secundária de Jokela, assassinou sete colegas e o director. Antes do massacre também divulgou um vídeo no Youtube, em que afirmava que ia matar todos aqueles que considerasse «desajustados». Ambos os casos terminaram com o suicídio dos autores do crime.

Virginia Tech e Columbine

Nos Estados Unidos, em 2007, Seung-Hui Cho, cometeu o massacre mais mortífero do país num estabelecimento de ensino. O célebre caso de Virginia Tech acabou com a morte de 32 pessoas, 27 estudantes e 5 membros da faculdade. O autor do crime, que acabou por cometer suicídio, sofria de distúrbios de ansiedade.

O massacre de Columbine é um dos mais mediáticos. A 20 de Abril de 1999, Eric Harris e Dylan Klebold mataram 12 estudantes e uma professora na escola secundária do Colorado.

Especulou-se que o «Gang da Capa Preta» cometeu o massacre para celebrar os 110 anos do nascimento de Adolf Hitler, mas a verdade é que nunca foram provadas as suas motivações. «Não culpem mais ninguém pelos nossos actos. É assim que queremos partir», esta foi a mensagem que a dupla deixou antes de cometer suicídio.

Este caso inspirou o realizador Gus Van Sant, que em 2003 assinou o filme «Elephant». Michael Moore também já levara o tema às salas de cinema, em 2002, com o documentário «Bowling for Columbine».