A entidade reguladora da energia na Alemanha anunciou, nesta terça-feira, a “suspensão temporária” da certificação para o gasoduto que liga a Alemanha e a Rússia, através do mar báltico, o Nord Stream 2.

A decisão teve impacto imediato nos preços do gás na Europa e no Reino Unido, que disparou 12% no mercado europeu.

Os reguladores decidiram não aprovar o projeto, porque a empresa russa que lidera a construção do gasoduto, a Gazprom, não criou corretamente uma subsidiária alemã que os permita operar, algo que é necessário de acordo com a legislação alemã.

O projeto Nord Stream 2, sediado na Suíça, criou uma subsidiária alemã para gerir e operar a secção alemã do gasoduto, mas, segundo o regulador, não terá cumprido os “requisitos da Lei da Indústria de Energia para uma operadora de rede de transporte independente".

Agora o processo de certificação fica suspenso, no entanto, a subsidiária da Gazprom tem quatro meses para legalizar a situação.

De acordo com o jornal Financial Times, a decisão teve um impacto imediato nos preços do gás na Europa e no Reino Unido, numa altura em que vários países europeus se confrontam com os custos cada vez mais elevados da energia.

A Gazprom tem sido acusada por alguns países de restringir as exportações de gás natural para a Europa de forma a aumentar a pressão sobre a Alemanha para que acelere a aprovação do projeto. A conclusão do gasoduto permitirá à Rússia exportar gás natural para a Europa sem ter de pagar taxas à Ucrânia, por onde atualmente passam os principais gasodutos russos.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, foi uma das mais recentes vozes a manifestar-se contra o projeto, alertando, na segunda-feira, que a União Europeia enfrenta a escolha entre apoiar a Ucrânia ou aprovar o gasoduto.

As autoridades ucranianas alertam que a construção do gasoduto, que custou mais de nove mil milhões de euros e tem 1.200 quilómetros de ligação submarina, poderá levar a uma chantagem por parte do regime de Vladimir Putin, que poderá restringir a exportação de gás para a Ucrânia e, dessa forma, facilitar uma invasão russa ao país.