Um soldado alemão, identificado como Franco A., terá passado durante 16 meses por refugiado sírio. Falando o mínimo de língua Árabe e usufruindo até de um subsídio mensal. Detido, juntamente com um suposto cúmplice, as conversas intercetadas entre ambos dão conta que prepararia um atentado. Por conta de ligações a organizações de extrema-direita e de um ódio denunciado a estrangeiros.

Durante os 16 meses, o soldado viveu uma vida dupla entre o quartel onde estava e centro de refugiados na região da Baviera, no sul da Alemanha.

Franco A. foi apanhado devido a um suposto plano fracassado na capital austríaca. O soldado conseguiu licença para ir a Viena, onde comprou uma pistola de calibre 7,65, que escondeu numa casa de banho do aeroporto. Quando mais tarde tentou ir buscá-la, levantou suspeitas e acabou por ser apanhado.

Foi ao verificarem as suas impressões digitais que os polícias perceberam que correspondiam às de um refugiado, identificado como David Benjamin. Nos serviços de acolhimento, dissera ser um sírio cristão de origem francesa - dai falar mal o Árabe e razoavelmente o Francês - residente em Alepo, perseguido pelo autodenominado Estado Islâmico, tal como a família, pelas suas crenças religiosas.

Telefonemas intercetados para um suposto cúmplice de 24 anos, igualmente detido, deram conta de que o soldado era senhor de um ódio xenófobo e teria ligações a organizações de extrema-direita.

Erros e política

O caso está a provocar uma onda de contestação política na Alemanha, onde se procura uma explicação para como foi possível os serviços do Estado terem sido enganados.

Removeremos tudo até à última pedra para perceber o que se passou", é a mensagem do Ministério do Interior do governo, segundo relata o jornal espanhol El País.

Respostas é o que exige a oposição política ao governo de Angela Merkel, com o social-democrata Thomas Oppermann, por exemplo, a considerar que o caso é um exemplo do "perigo para a segurança da Alemanha".

Se alguém pode ser reconhecido como refugiado sem conhecer o idioma do suposta país de origem, então estamos a assistir a uma falha absoluta das autoridades competentes", afirmou a socialista Katharina Barley.

Outra questão que está a levantar polémica diz respeito ao sentimento de xenofobia existente no seio do exército alemão, além das ligações a organizações extremistas de direita.

Segundo uma carta enviada ao parlamento pelo ministro da Defesa alemão, a que a agência Reuters teve acesso, no passado mês de abril, 275 soldados estavam a ser investigados por suspeitas de pertencerem à extrema-direita.