A trégua “humanitária” decretada por Moscovo para permitir a retirada de civis e de rebeldes da cidade de Alepo, no norte da Síria, alvo de bombardeamentos aéreos, entrou em vigor.

O cessar-fogo, que teve início às 08:00 (06:00 em Lisboa), surge dois dias depois de o regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, e do seu aliado russo, terem suspendido os seus raides aéreos, na perspetiva de instauração da chamada “pausa humanitária”.

A trégua vai estender-se por pelo menos 11 horas (até às 17:00 em Lisboa).

Inicialmente, o cessar-fogo anunciado pela Rússia devia prolongar-se por oito horas, mas o estado-maior do exército russo anunciou, na quarta-feira, que foi alargado para 11 horas “a pedido de organizações internacionais”. Já o exército sírio indicou que vai durar três dias.

Confrontos e tiros de artilharia foram já registados na área designada como corredor humanitário para permitir aos civis deixarem Alepo, constatou um jornalista da agência AFP na zona rebelde.

Um fotógrafo da agência noticiosa francesa no setor tomado pelo regime confirmou, por seu lado, ter ouvido disparos, perto da passagem, no centro de Alepo.

A agência noticiosa estatal síria SANA acusou “grupos terroristas” de serem responsáveis pelos disparos.

Estado Islâmico e um oleoduto

As Forças Armadas da Turquia informaram hoje ter destruído 18 posições da milícia curdo-síria YPG no norte da cidade síria de Alepo e matado entre 160 e 200 dos seus membros.

Num comunicado sobre a ofensiva turca “Escudo de Eufrates”, iniciada no final de agosto no norte da Síria, o Exército assinala que aviões turcos atacaram, durante a noite, posições das YPG (Unidades de Defesa do Povo, milícias do Partido da União Democrática), destruíram 18 alvos e mataram cerca de 200 guerrilheiros.

Este é o maior ataque do exército turco contra as YPG, consideradas pelos Estados Unidos da América como as forças terrestres mais eficazes contra o Estado Islâmico na Síria.

Noutro plano, o exército sírio diz ter repelido hoje um ataque do Estado Islâmico perto de um oleoduto na província central de Hama, segundo meios de comunicação social oficiais e ativistas.

As forças armadas abortaram um ataque dos jihadistas contra um oleoduto a leste da cidade de Al Salamiya, assim como contra vários postos militares nas proximidades, informou a televisão síria.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos também confirmou que o EI lançou um ataque, na passada madrugada, perto de Al Salamiya, onde estalaram confrontos entre os extremistas e os militares, que acabaram por travar a investida.