O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos decretou esta terça-feira que a Rússia foi responsável pela morte de Alexander Litvinenko, antigo agente do KGB que morreu em 2006, e que morreu depois de ser envenenado com polónio 210, um composto radioativo.

O russo era um dos opositores mais conhecidos de Vladimir Putin, que à data já cumpria o sexto ano como presidente do país. O homem acabou por morrer algumas semanas depois de beber um chá verde num hotel do Reino Unido, país que de imediato culpou Moscovo pelo sucedido. Alexander Litvinenko estava a viver no Reino Unido desde 2000, tendo fugido para ali no início do século, chegando a trabalhar em colaboração com o MI6.

Na decisão anunciada, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos concluiu que a Rússia foi a responsável pela morte de Alexander Litvinenko.

A Rússia negou sempre qualquer envolvimento na morte do antigo espião, mas desde o início que o Reino Unido desconfiou do caso, chegando mesmo a aprovar um inquérito ao caso.

Esse mesmo inquérito acabou por levar a Dmitry Kovtun e Andrei Lugovoy, agentes russos que terão sido os responsáveis pela morte de Alexander Litvinenko.

Agora, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos concorda com essa mesma versão: "O tribunal encontrou, sem grandes dúvidas, que o assassinato foi levado a cabo por Lugovoy e Kovtun".

A planeada e complexa operação envolveu a preparação de um veneno raro, o acordo para a viagem da dupla e várias tentativas de administração do veneno ao senhor Alexander Litvinenko", acrescenta o documento.

A corte de Estrasburgo condenou agora Rússia a pagar 100 mil euros à viúva de Alexander Litvinenko por danos morais.

António Guimarães