O presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, ameaçou retaliar contra as sanções impostas pela União Europeia com o corte do fornecimento de gás natural que atravessa o país com destino à Europa, numa altura em que a crise de migrantes na fronteira com a Polónia se tem vindo a intensificar, esta quinta-feira.

Nós aquecemos a Europa e eles continuam a ameaçar-nos ao dizer que vão fechar a fronteira”, afirmou o líder bielorusso, referindo-se às duas condutas de gás natural da empresa russa Gazrprom, que atravessam o país em direção à Polónia.  

 

Eu recomendo a liderança polaca, lituana e outras pessoas a pensar antes de falar”, avisa o ditador. 

Em declarações ao jornal The Indenpendent, o líder da oposição que se encontra no exílio, Franak Viacorka, classifica a ameaça de Lukashenko como “um bluff”, uma vez que a medida iria prejudicar os interesses da Rússia, um dos últimos aliados do regime.

Se ele o fizesse ia magoar-se e ia magoar a Rússia. Normalmente, quando ele faz alguma coisa, como foi o caso do voo da Ryanair, ele não o avisa com antecedência”, explicou.

Atualmente, a Rússia exporta 30 milhões de metros cúbicos de gás natura, aproximadamente 10% dos 290 milhões de metros cúbicos que o país liderado por Vladimir Putin envia para a Europa ocidental através da Bielorrússia. 

Recorde-se que, esta quinta-feira, o Conselho de Segurança da ONU reuniu-se de urgência para debater a crise de migrantes na fronteira entre a Polónia e a Bielorrúsia, numa altura em que a tensão entre os dois países não aparentam diminuir. 

A Polónia acusa o presidente bielorrusso de politizar a questão dos migrantes, na maioria do Médio Oriente e da Ásia, para promover um "terrorismo de Estado".

Mais de 2.000 migrantes estão acampados há vários dias numa área arborizada na Bielorrússia no meio de baixas temperaturas. Do lado polaco da fronteira, Varsóvia instalou uma cerca de arame farpado, vigiada por 15.000 soldados.

Os europeus acusaram o presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, apoiado pelo homólogo russo, Vladimir Putin, de estar a alimentar a crise há várias semanas, através da emissão de vistos para os migrantes e transportando-os para a fronteira com a Polónia, limite da União Europeia (UE), como uma forma de vingança pelas sanções impostas por Bruxelas.