Milhares de pessoas manifestaram-se este domingo nas ruas da Bielorrússia contra o presidente do país, Alexander Lukashenko, apesar da ameaça policial de responder com disparos, o que resultou em mais de 100 pessoas detidas em Minsk, revelou a polícia.

Até agora, mais de 100 pessoas foram detidas em Minsk", disse a porta-voz do Ministério do Interior da Bielorrússia, Olga Tchemodanova, em declarações à agência de notícias francesa AFP.

Esta ação de protesto é a primeira em grande escala desde o ultimato dado ao presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, no poder desde 1994, pela principal figura da oposição Svetlana Tikhanovskaïa, refugiada na Lituânia.

Na terça-feira, a opositora bielorrussa Svetlana Tikhanovskaya deu um prazo até 25 de outubro a Alexander Lukashenko para renunciar ao mandato presidencial, caso contrário a oposição irá convocar uma manifestação de proporções inéditas e uma greve geral.

Ao contrário dos protestos anteriores, os manifestantes escolheram o domingo não para marchar no centro de Minsk, mas numa artéria no sul da capital, onde estão localizadas muitas fábricas.

De acordo com a organização bielorrussa de defesa dos direitos humanos Viasna, a polícia começou a deter os manifestantes em Minsk e noutras cidades, contabilizando 15 pessoas detidas a meio da tarde.

Os meios de comunicação locais também noticiaram a detenção dos seus jornalistas.

A oposição bielorrussa exige a saída de Lukashenko desde as contestadas eleições presidenciais de 9 de agosto, que atribuíram ao líder bielorrusso, no poder há 26 anos, um sexto mandato.

As forças opositoras consideraram as eleições como fraudulentas e desde então centenas de milhares de bielorrussos têm saído às ruas em protesto.

As manifestações têm sido marcadas por uma forte e violenta repressão pelas forças de segurança da Bielorrússia.

O movimento de contestação tem sido alvo de uma constante pressão por parte das autoridades e muitas das suas principais figuras estão exiladas no estrangeiro ou foram detidas.

Na segunda-feira, o último membro do Conselho de Coordenação (formado pela oposição) que ainda estava na Bielorrússia e em liberdade, Serguei Dylevski, deixou o país por "temer pela (sua) segurança", segundo os meios de comunicação locais.

Temos dito várias vezes que estamos prontos para o diálogo e para negociações. Mas falar atrás das grades da prisão não é diálogo", afirmou a opositora Svetlana Tikhanovskaya, denunciando o "terror do Estado" na Bielorrússia.

No dia 11, as manifestações regressaram às ruas da Bielorrússia, nomeadamente em Minsk para contestar a reeleição de Lukashenko.

Mais de 700 pessoas foram detidas pelas forças de segurança durante os protestos, naquela que terá sido a mais dura repressão policial em várias semanas de protestos, de acordo com ativistas locais de direitos humanos.

O grupo de defesa dos direitos humanos bielorrusso Viasna estima que cerca de 100 mil pessoas terão participado na manifestação de dia 11 em Minsk.

Após esses protestos na capital, o Ministério do Interior da Bielorrússia advertiu que a polícia irá recorrer "se necessário" a balas reais e a "equipamentos especiais" para travar os protestos antigovernamentais, argumentando na mesma ocasião que a contestação no país está organizada e radicalizada.

/ CE