As autoridades da Bielorrússia propuseram esta terça-feira como saída para a crise política interna uma ampla reforma constitucional e eleições legislativas e presidenciais para 2022, informou o diário russo RBK.

A reforma constitucional, que será votada pelos bielorrussos em referendo, reduzirá os poderes do chefe de Estado em favor do governo e do parlamento.

As propostas foram apresentadas em finais de agosto pelo representante bielorrusso perante a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Minsk argumenta que a reforma constitucional é a única via de saída para a crise, apesar de a oposição considerar que constitui um instrumento para ganhar tempo, e adiar sem perspetivas o cumprimento das principais reivindicações, eleições livres e a demissão do presidente Alexander Lukashenko.

O projeto prevê ainda a liberalização do sistema político, para que os partidos possam influir de forma mais decisiva na vida da ex-república soviética, e uma alteração da lei eleitoral.

Segundo o jornal, estas emendas foram preparadas pelo Tribunal Constitucional, mas ainda não foram confirmadas pelo presidente.

A fonte destaca que as propostas são semelhantes aos pedidos da oposição, com a diferença de que serão aplicadas após uma acalmia da situação.

Outra questão pendente reside nas garantias de segurança para Lukashenko antes de abandonar o poder, como ocorreu na Rússia com Boris Ieltsin quando cedeu a presidência a Vladimir Putin.

Em entrevista a diversos media russos, Lukashenko admitiu hoje que se eternizou no poder, mas excluiu um abandono precipitado do cargo na sequência dos protestos antigovernamentais.

Sim, estive um pouco demais na poltrona. Sim. Mas efetivamente, apenas eu posso agora defender a Bielorrússia”, afirmou.

Lukashenko, no poder desde 1994, sendo o atual dirigente europeu com mais tempo no cargo, advertiu sobre um possível banho de sangue caso abandone o poder.

O presidente bielorrusso também justificou a detenção hoje da dirigente opositora Maria Kolesnikova, desaparecida desde segunda-feira, ao referiu que tentou fugir ilegalmente para a Ucrânia.

Milhares de pessoas exigiram hoje em Minsk a imediata libertação de Kolesnikova nas ruas de Minsk, onde a polícia deteve um número indeterminado de manifestantes.

/ SS