A oposição bielorrussa lançou uma campanha nacional e internacional contra o Presidente, Alexandr Lukashenko, que inclui um novo protesto em 25 de março, um referendo e sanções contra aquela que é considerada a última ditadura na Europa.

Devemos ter em conta que Lukashenko, como qualquer ditador, quer permanecer no poder até ao último dia da sua vida. Ele está ‘doente’ de poder, esse é o principal problema na Bielorrússia", disse o ex-ministro da Cultura e líder da oposição exilado na Polónia, Pavel Latushko, à agência EFE.

Alexandr Lukashenko, no poder desde 1994, aprovou, nos últimos tempos, leis contra protestos, apelou à lealdade do Exército e da KGB (serviços secretos da União Soviética, que cessaram funções oficialmente em 1991), intensificou a repressão a qualquer partido político dissidente e, como única concessão, anunciou um referendo constitucional para 2022.

Moscovo obriga-o a reformar a Constituição [...]. Lukashenko tenta criar a ilusão de mudança para atender às expectativas do Kremlin, mas estou convencido de que para [o Presidente russo, Vladimir] Putin, isso deixou de ser rentável", assinalou Pavel Latushko.

A oposição convocou um ato de protesto, ao qual deram o nome "Pela Liberdade", para o dia 25 de março, data em que se comemora o aniversário da breve independência de que gozou este país em 1918, após a Revolução Bolchevique.

A Bielorrússia está a transformar-se numa junta militar, mas os protestos nunca pararam, os bielorrussos não desistem e continuam a protestar, dia e noite", disse Latushko.

A oposição, dispersa entre Varsóvia (Polónia), Vilnius (Lituânia), Riga (Letónia) e Kiev (Ucrânia) desde a repressão que se seguiu aos protestos contra a fraude que acredita ter ocorrido nas eleições presidenciais de agosto de 2020, quer recuperar a iniciativa e a rua, embora esteja ciente de que, enquanto continuar a ter o apoio do Kremlin, Lukashenko continuará a governar com “mão de ferro”.

Os bielorrussos têm direito à autodefesa. As pessoas que protestarem naquele dia em Minsk e noutras cidades correm riscos. Somos o único país da Europa onde a KGB ainda existe, mas de qualquer forma, as pessoas vão sair às ruas ”, insistiu.

Latushko, ex-embaixador simultâneo em França e em Espanha, apontou as "dezenas de milhares" de represálias de bielorrussos por motivos políticos: 35.000 detidos desde agosto, de acordo com o Ministério da Administração Interna, nove bielorrussos mortos durante protestos, 1.800 que denunciaram tortura e 200 empresas fechadas por aderirem às greves.

Outras medidas da campanha de oposição incluem pressão económica para que as empresas europeias, nomeadamente na Alemanha, França e Noruega, parem de fazer negócios com Lukashenko, bem como sanções contra todos os funcionários envolvidos na repressão.

Como Lukashenko privou o povo bielorrusso do direito de voto, também faremos um referendo digital", disse.

Os bielorrussos serão questionados se desejam uma república parlamentar onde haja limitação de mandatos presidenciais, se o país manterá a sua neutralidade, se revogam a pena de morte e se optam por uma aliança com a Rússia ou com a União Europeia (UE).

O Presidente bielorrusso avisou esta semana que a ameaça nos próximos meses virá "de dentro" e pediu aos militares que não "fiquem sentados nas guarnições militares à espera que alguém atravesse a fronteira e só depois peguem na espingarda”.

O líder da oposição considerou as afirmações do Presidente “uma violação direta da Constituição”, uma vez que dá instruções ao Exército para que atue de forma violenta contra “protestos pacíficos”.

Latushko disse ainda ter em sua posse um documento secreto a ordenar à KGB, à polícia e ao Exército que criem "brigadas móveis" para reprimir os protestos previstos para a primavera.

Quando ele diz que o inimigo está dentro, ele quer dizer apenas uma coisa, que ele vê o povo bielorrusso como inimigo”, acrescentou.

/ NM