O líder da oposição russa, Alexei Navalny, está preso num campo de concentração na região de Vladimir, a nordeste de Moscovo.

Esta informação foi confirmada numa mensagem publicada na conta de Instagram de Navalny, que adianta que a estrutura é conhecida pelo estrito controlo aos reclusos.

A localização exata do opositor era desconhecida, após a sua equipa jurídica ter adiantado, na semana passada, que Navalny tinha sido transferido da prisão de Kolchugino (nas proximidades) e que não tinham sido informados para onde foi levado.

 Tenho de admitir que o sistema prisional russo sempre me surpreendeu", pode ler-se na publicação, acompanhada com uma fotografia antiga de Navalny, que admite: "Não tinha ideia que era possível organizar um autêntico campo de concentração a 100 quilómetros de Moscovo

Navalny acrescentou que estava na Colónia Penal nº 2 na cidade de Pokrov, Vladimir, com uma "cabeça recém-rapada".

Também a advogada do opositor, Olga Mikhailova, confirmou que tem visitado o opositor russo na colónia.

Na mesma publicação, Navalny descreveu ainda que existem "cameras em todo o lado, todos são vigiados e à menor violação é feita uma denúncia.

“Acho que alguém lá em cima leu "Orwell’s 1984" e disse: 'Sim, fixe. Vamos fazer isto. Educação através da desumanização'”, acrescentou.

Alexei Navalny, de 44 anos, foi preso em meados de janeiro quando regressou à Rússia depois de vários meses de convalescença na Alemanha na sequência do envenenamento de que afirma ter sido alvo por parte do regime de Vladimir Putin.

Navalny foi, entretanto, condenado a dois anos e meio de prisão no âmbito de um processo de fraude que remonta a 2014 que considera ter sido "um julgamento político".

Na primeira década do século XXI, Navalny participou em vários desfiles da "Marcha Russa", encontro anual de grupúsculos de extrema-direita e monárquicos usando um discurso nacionalista e racista para criticar, sobretudo, os emigrantes da Ásia central ou das repúblicas muçulmanas do Cáucaso russo.  

Navalny tornou-se o principal opositor do Kremlin depois de ter suavizado o discurso, abandonando a retórica do passado para se dirigir a todas as esferas políticas da oposição ao presidente Putin.

Rafaela Laja