O líder da oposição russa, Alexei Navalny, foi hoje visitado pela mulher e por um assistente no hospital universitário Charité, em Berlim, onde está internado em coma, após suspeitas de envenenamento.

Um dia depois da transferência da unidade hospitalar da Sibéria, na qual tinha dado entrada na quinta-feira, para a Alemanha, Yulia Navalnaya e o assistente Leonid Volkov foram ver o político, de 44 anos, mas não falaram com os jornalistas.

Após a chegada de Alexei Navalny, a porta-voz do hospital alemão, Manuela Zingl, adiantou que o ativista russo ia ser alvo de testes de diagnóstico exaustivos e que os médicos não comentariam a sua condição ou o seu tratamento até serem capazes de avaliar os resultados.

Navalny, um dos mais ferozes críticos do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, adoeceu num voo de regresso a Moscovo da Sibéria, na quinta-feira, e foi levado para o hospital na cidade de Omsk após o avião ter feito uma aterragem de emergência. Os apoiantes de Navalny acreditam que foi envenenado através de um chá e que o Kremlin está envolvido no caso, bem como no suposto atraso da sua transferência para um hospital na Alemanha.

Contudo, os médicos em Omsk apontaram para uma eventual perturbação metabólica como causa mais provável para a perda de consciência de Navalny no avião. Paralelamente, as autoridades de saúde russas disseram no sábado que os testes até agora realizados não mostraram quaisquer sinais de veneno no seu organismo.

Entretanto, o médico do líder da oposição russa, Yaroslav Ashikhmin, disse que o político sempre esteve de boa saúde, faz regularmente check-ups médicos e não tinha nenhuma doença subjacente que pudesse ter desencadeado a sua atual condição.

Alexei Navalny tem sido frequentemente detido pelas forças da lei e assediado por grupos pró-Kremlin. Em 2017, foi atacado por vários homens que lhe atiraram antisséticos à cara, causando danos num olho.

Já no ano passado, o ativista russo foi levado à pressa para um hospital, vindo da prisão, onde cumpria uma pena sob a acusação de violação das leis de protesto. A sua equipa também suspeitou então de envenenamento, mas os médicos alegaram somente uma reação alérgica grave e mandaram-no de volta para a prisão no dia seguinte.

/ BC