A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos exigiu hoje que as autoridades russas façam uma investigação “completa, transparente, independente e imparcial” ao “crime gravíssimo” cometido contra Alexei Navalny, que foi envenenado na Rússia.

Negar a necessidade de uma investigação completa, independente, imparcial e transparente sobre esta tentativa de assassinato não constitui uma resposta adequada”, considerou Michelle Bachelet, em comunicado hoje divulgado.

A Alta Comissária observou que agentes neurotóxicos e isótopos radioativos como o ‘novichok’ - que especialistas alemães afirmam ter sido usado para envenenar Navalny - e o polónio-210 são substâncias sofisticadas e extremamente difíceis de obter.

“Isso levanta muitas questões” como “porquê usar substâncias como estas? Quem as usa? Como as conseguiram?”, referiu.

Questionado em conferência de imprensa da ONU, em Genebra, sobre quem considera ser os culpados pelo envenenamento, o porta-voz de Bachelet, Rupert Colville, disse “não estar em posição de fazer acusações diretas”.

Principal opositor do Kremlin, Alexei Navalny, foi, “sem dúvida”, segundo as autoridades alemãs – Alexei Navalny, de 44 anos, está a ser tratado em Berlim -, envenenado na Rússia no decurso de uma deslocação eleitoral por um agente neurotóxico do tipo ‘novitchok’, uma substância concebida na época soviética para fins militares e já utilizada contra o ex-agente duplo russo Serguei Skripal e sua filha Iulia, em 2018, em Inglaterra.

O Governo alemão e outros países ocidentais acusam as autoridades russas pelo crime, mas o Kremlin rejeita qualquer responsabilidade.

Na segunda-feira, Moscovo afirmou estar a ser alvo de acusações “absurdas”.

“Qualquer tentativa de associar a Rússia, de alguma forma, ao que aconteceu é inaceitável”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

/ BC