Estudantes e professores italianos continuam os protestos contra a reforma educativa apresentada pelo governo de Silvio Berlusconi, enquanto se aguarda a reunião da ministra da Educação, Maria Stella Gelmini, com as associações estudantis, informa a agência Lusa.

Depois das ruidosas manifestações dos últimos dias em toda a Itália, os universitários optaram por continuar os protestos com novas iniciativas como ter aulas na rua. Desde as primeiras horas da manhã, no Praça do Duomo de Milão, alguns professores universitários estão a dar aulas a estudantes que escutam e tomam apontamentos sentados no chão.

Entretanto, em Nápoles e Catanzaro, no sul de Itália, os estudantes voltaram hoje às ruas contra a reforma, que prevê a supressão de até 120.000 postos de trabalho, entre professores e pessoal não docente, e um corte de 8.000 milhões de euros nos orçamentos para a Universidade.

Outra das medidas mais criticadas, sobretudo pelos pais, é a que determina que os alunos dos seis aos 11 anos passem de um professor por disciplina para um único, excepto no caso do inglês e religião.

A indignação dos estudantes aumentou depois do chefe do governo, Silvio Berlusconi, ter afirmado em Pequim, onde se encontra em visita oficial, que muitas das manifestações dos alunos eram organizadas «pela extrema esquerda».

Numa nota conjunta, as associações estudantis classificaram como «inaceitáveis» as palavras de Berlusconi e recordaram que «centenas de milhares de estudantes saíram para as ruas e ocuparam as universidades e escolas pacificamente, sem qualquer acto de violência».
Redação / FC