A esperança de que uma quantidade suficiente da Grande Barreira de Coral, na Austrália, pudesse escapar ao aquecimento global, a tempo de poder recuperar, sofreu um duro golpe esta sexta-feira.

Os investigadores do Australian Research Council descobriram que menos de 2% da Grande Barreira de Coral escapou ao branqueamento desde 1998, o ano mais quente alguma vez registado.

Contudo, se o aquecimento global for mantido nos 1,5ºC (o aumento máximo da temperatura média global que foi o foco da COP26) a mistura de corais na Grande Barreira de Coral mudará, mas ainda pode prosperar, adiantou o principal autor do estudo.

Se pudermos manter o aquecimento global em 1,5 ºC de aquecimento médio global, então acho que ainda teremos uma vibrante Grande Barreira de Coral", afirmou o professor Terry Hughes, do Centro de Excelência para Estudos de Recifes de Coral do Australian Research Council.

O maior sistema de recife de coral do mundo sofreu cinco eventos de branqueamento durante os últimos anos - provocados ​​pelo aumento da temperatura do oceano, consequência da queima de combustíveis fósseis - que minaram a sua sobrevivência. O mais recente foi o maior até ao momento.

Alguns especialistas esperam que as áreas mais frias do oceano sirvam como "refúgio" ao branqueamento, permitindo que os corais sobrevivam e naturalmente dispersem as larvas para recifes danificados.

Mas o estudo publicado na Current Biology descobriu áreas previamente identificadas como "candidatas a refúgios" já sofreram branqueamentos severos ou moderados pelo menos uma vez

O mundo está atualmente repleto de antigos potenciais refúgios de recifes de coral que, desde então, branquearam", constatou Terry Hughes.

Desta forma, o investigador alerta que os recifes terão dificuldade em sobreviver, mesmo que os países consigam chegar a acordo na COP26.

De referir que os recifes tropicais são dos ecossistemas mais suscetíveis às alterações climáticas, com impactos significativos mesmo que o aquecimento global fique nos 1.1ºC.

Quando os corais permanecem durante muito tempo em águas estranhamente mornas, separam-se das algas que lhes fornecem a maior parte da sua alimentação e cor.

Nos casos mais extremos, este "branqueamento" pode matar o coral. Temperaturas muito altas podem matar corais imediatamente.

Rafaela Laja