A analista britânica Jill Rutter defendeu esta quarta-feira que a Cimeira sobre as Alterações Climáticas (COP26), da qual o Reino Unido é anfitrião em 2021, será importante para afirmar o país intencionalmente e aproximá-lo dos EUA no pós-Brexit. 

As alterações climáticas estão no topo da agenda diplomática do Reino Unido. (…) O Governo de Johnson precisa desesperadamente de um sucesso em Glasgow em 2021 para mostrar que o Reino Unido Global ainda é um ator internacional significativo”, afirmou esta quarta-feira, durante um seminário virtual organizado pelo Centro de Estudos sobre o Brexit da Universidade de Birmingham. 

Jill Rutter falava num evento intitulado "Reino Unido Global? O sucesso internacional pós-Brexit do Reino Unido”, onde se discutiu o termo usado pelo Governo britânico para promover a imagem de um país mais aberto ao mundo depois da saída da União Europeia e o impacto da eleição de Joe Biden para Presidente nas relações com os Estados Unidos.  

Atualmente investigadora dos institutos de estudos 'UK in a Changing Europe' e 'Institute for Government', depois de ter ocupado vários cargos superiores na administração pública britânica, Rutter acredita que a administração de Joe Biden pode ajudar porque partilha da mesma preocupação com as alterações climáticas. 

A administração Biden oferece uma grande oportunidade. Resta saber se o Governo Johnson consegue responder às expectativas”, vincou. 

Um dos desafios, disse, será encontrar uma personalidade reconhecida e carismática para liderar a Cimeira, atualmente sob a responsabilidade do ministro da Economia, Alok Sharma. 

A imprensa britânica noticiou no início do ano que o primeiro-ministro britânico convidou o ex-chefe do Governo David Cameron e o antigo líder do Partido Conservador William Hague para o cargo após a demissão litigiosa de Claire Perry O’Neill, mas ambos recusaram. 

Na terça-feira, o vencedor das eleições presidenciais norte-americanas, Joe Biden, nomeou o antigo secretário de Estado John Kerry para Representante Especial para o Clima, confirmando a promessa de voltar a aderir ao Acordo de Paris, ao qual Trump renunciou.

Seria bom se [Johnson] encontrassem alguém com quem John Kerry possa falar”, acrescentou.

A COP26, que pretendia relançar o Acordo de Paris (após o anúncio da retirada norte-americana), estava prevista para este ano em Glasgow (Escócia, Reino Unido), mas por causa da pandemia da doença covid-19, e à semelhança de outras reuniões internacionais, foi adiada e está prevista para novembro de 2021.

Assinado em dezembro de 2015 durante a conferência das Nações Unidas sobre o clima (COP21) na capital francesa, o Acordo de Paris tem como objetivo principal limitar o aumento da temperatura média mundial “bem abaixo” dos 2ºC em relação aos níveis pré-industriais e em envidar esforços para limitar o aumento a 1,5ºC.

/ DA