O ativista João Camargo afirmou esta segunda-feira que a degradação ambiental está a radicalizar e a dividir os movimentos de protesto, após moderar uma sessão sobre Ecossocialismo à margem da 26.ª conferência do clima das Nações Unidas (COP26), a decorrer em Glasgow. 

“O processo normal de degradação ambiental resulta numa maior radicalização”, afirmou à agência Lusa o dirigente da organização Climáximo, no final da sessão, acrescentando que é normal existirem diferenças no tipo de reivindicações. 

Durante o debate, o académico sueco, Andreas Malm, referiu como o movimento Fridays for Future, iniciado por Greta Thunberg, começou em 2019 a invocar termos como racismo e colonialismo como causas das alterações climáticas. 

Porém, notou, “ainda não adotou uma posição sobre anticapitalismo” como outros, como o britânico Green New Deal Rising ou Sunrise Movement. 

Mesmo entre participantes do painel, surgiram diferenças de opinião: Malm defendeu a nacionalização das empresas de combustíveis fósseis, a mexicana Maria Reyes disse que esse modelo não está a funcionar no seu país. 

O académico sueco também referiu como na Alemanha, sindicatos e movimentos ambientalistas socialistas discordam na campanha contra o carvão como fonte de energia porque o fim da indústria põe postos de trabalhos em risco. 

Camargo reconheceu que o movimento ambientalista “não é homogéneo, tem disputas” e defendeu o ecossocialismo e uma revolução na tradição da ideologia socialista. 

“A revolução não é um fetiche, precisamos de uma revolução para mudar a relação de forças” e chegar ao poder, defendeu o português. 

João Camargo é um dos organizadores da quinta edição dos Encontros Ecossocialistas Internacionais em Lisboa, de 21 a 23 de janeiro, onde vão estar participantes de países como Espanha, Franca, Nigéria, Uganda, Índia ou Turquia. 

Durante a COP26, associou-se a uma plataforma de outros grupos ambientalistas chamada Glasgow Agreement, que hoje denunciou que 184 poços de petróleo e gás que foram abertos e concluídos em 2021, e que mais de 800 vão ser abertos até ao final de 2022.

"Cada um destes poços representa não só o Ecocídio, mas um projeto suicida para a Humanidade”, acusa a plataforma.

/ BMA