Um derrame de petróleo com 260 quilómetros de extensão, ocorrido numa refinaria da Venezuela, está a causar danos no Parque Nacional Morrocoy e na zona costeira do país, afetando a uma centena de espécies e algas marinhas, foi esta quarta-feira denunciado.

Segundo a Fundação Azul Ambientalistas (FAA),  o derrame ocorreu há dez dias na refinaria de El Palito (a principal do país), situada no Estado de Falcón (centro-norte). Segundo as autoridades locais, tratou-se de um barco da estatal Petróleos da Venezuela SA (PDVSA) e estão em curso trabalhos de saneamento da mancha petrolífera.

“Apelamos à responsável, à PDVSA, a única empresa venezuelana que trabalha com petróleo e seus derivados, a que cumpra com as suas funções quanto à responsabilidade pelo derrame, tanto civil como criminal. Instamos o Ministério Público, em matéria ambiental, a iniciar as investigações pertinentes para dar com os culpados”, disse a diretora da FAA aos jornalistas.

Vitória González explicou que a situação no Parque Nacional Morrocoy “é bastante complexa, com um alto custo ambiental, porque não conhecemos o hidrocarboneto que foi derramado”.

É o maior desastre ecológico que afeta o parque, nos últimos anos. Abrange ilhotas do Parque Nacional Morrocoy, a ‘Cayo Borracho’, a ‘ Sombrero’, a ‘Pescadores’, a ‘Juanes’ e a área de recife da ‘Peraza'”, disse, alertando que estão em risco “100 espécies de invertebrados e algas”.

Entretanto, através do Instagram o Ministério Venezuelano de Eco-socialismo, divulgou várias fotos e um vídeo explicando que mais de 200 pessoas trabalham na limpeza da mancha petrolífera e para descontaminar as áreas afetadas pelo derrame, entre elas as praias.

Numa das fotos é possível ver uma barreira no mar, ao longo de uma costa, “para impedir a passagem de hidrocarbonetos”.

A Sociedade Venezuelana de Ecologia (SVE) já alertou as autoridades que “as jornadas de limpeza são fundamentais para extrair a maior quantidade de crude possível, mas são só o primeiro passo”.

É necessário avaliar a magnitude do impacto e planejar o monitoramento, para entender o efeito sobre os ecossistemas da zona”, alertou a ONG na sua conta do Twitter.

Segundo a SVE o derramamento representa um risco para a fauna silvestre, áreas húmidas as de importância internacional da Convenção de Ramsar.

Os hidrocarbonetos se depositam nos leitos de plantas marinhas e escorrem até às raízes. Têm um efeito tóxico na fauna associada e a remoção mecânica pode danificar o ecossistema. O refúgio selvagem é uma área de descanso e reprodução para aves aquáticas e migratórias. O crude adere às suas penas, afetando o isolamento térmico”, explica.

Por outro lado, os pescadores dizem que o derrame já chegou às praias de Puerto Cabello, no vizinho estado de Carabobo, afetando os corais, e que temem que afete a pesca, uma das principais atividades económicas da zona.

O Parque Nacional de Morrocoy está localizado na costa leste do estado venezuelano de Falcón. Foi declarado parque nacional em 26 de maio de 1974 e possui 32.090 hectares.

Abrange áreas terrestres e aquáticas do Golfo Triste, contém amplos manguezais, várias ilhotas e algumas das praias de água cristalina mais procuradas da Venezuela.

Além de paisagens e canais naturais, possui 266 espécies de avifauna, entre elas o flamenco, a água pescadora, a garça paleta e o pelicano.

Aí residem diversas espécies de répteis marinos, tartarugas, entre elas a verde, a carey, a cardón e cabezón, em risco de extinção. Também mamíferos marinhos e terrestres, peixes de recifes de coral, moluscos e crustáceos, e insetos.

Mais de um milhão de pessoas visitam anualmente o Parque Nacional Morrocoy

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