Cento e cinquenta e sete presos condenados por motivos relacionados com a segurança do Estado foram perdoados como parte de uma amnistia concedida pelo líder supremo do Irão, anunciou esta terça-feira a autoridade judicial do país.

O ‘ayatollah’ Ali Khamenei aprovou uma medida de "perdão e redução das penas para 3.780 condenados" por ocasião do aniversário do nascimento de Maomé (03 de novembro), disse o porta-voz do sistema judicial, Gholamhossein Esmaili, durante uma conferência de imprensa transmitida pela televisão.

Entre os beneficiados estão "157 condenados por propaganda contra o Estado, reunião e conluio contra a segurança nacional ou participação nos motins de 2017, 2018 e 2019 e anos anteriores e que foram perdoados", acrescentou Esmaili.

As pessoas condenadas por motivos ligados à segurança do Estado raramente beneficiam de amnistias no Irão.

Em julho, Teerão anunciou a suspensão da execução de três jovens, condenados devido às manifestações que incendiaram o Irão em novembro de 2019, após uma onda de indignação quando foi anunciado que seriam enforcados.

Não se sabe se esses três detidos estavam entre os perdoados de hoje.

O Irão foi afetado por várias ondas de protesto popular desde o final de 2017, num cenário de agitação social e dificuldades económicas relacionadas em parte com o retorno, primeiro anunciado e depois em vigor, das sanções dos Estados Unidos contra a República Islâmica.

Em novembro de 2019, um protesto sem paralelo em anos afetou cem cidades, após o anúncio de um aumento repentino e brutal no preço da gasolina. As manifestações foram reprimidas durante três dias de violência.

Depois de se recusarem durante meses a fornecer o número de mortos nos protestos, as autoridades finalmente anunciaram que 230 pessoas morreram nesses distúrbios e culparam os "desordeiros" por essas mortes.

A organização não-governamental de direitos humanos Amnistia Internacional (AI) estimou o número de mortos em 304 e denunciou o uso excessivo da força por parte das autoridades.

Um grupo de especialistas independentes que trabalha para a ONU indicou que possivelmente mais de 400 pessoas foram mortas (incluindo 12 crianças).

Enquanto a pandemia do novo coronavírus assola o Irão, elevando o seu número de mortes ao mais alto no Médio Oriente, o Governo também libertou mais de 100.000 prisioneiros para impedir que o vírus se propague nas prisões.

/ LF