O ministro da Defesa da Ucrânia, Andrei Tarán, apresentou esta terça-feira a demissão no parlamento (Verkhovna Rada), devido às crescentes tensões com as milícias pró-russas na região do Donbass, relacionadas com violações de cessar-fogo.

Tarán, que ocupava o cargo desde 4 de março de 2020, renunciou depois de o vice-primeiro-ministro com a tutela da reintegração dos territórios temporariamente ocupados, Alexéi Réznikov, também o fazer na segunda-feira.

O grupo parlamentar do partido no poder, “O Servidor do Povo”, concordou com uma remodelação do Governo, que também levou à demissão do vice-primeiro-ministro e ministro da Economia, Alexéi Liubchenko.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, discutiu hoje de forma breve a situação na região do Donbass, em Glasgow (Escócia), com o seu homólogo norte-americano, Joe Biden, e, em seguida, com mais profundidade, com o secretário de Estado, Antony Blinken.

Os EUA continuam a apoiar a integridade territorial e as reformas na Ucrânia”, escreveu Volodimir Zelenski no Twitter.

O chefe de Estado da Ucrânia também discutiu o conflito com a chanceler alemã, Angela Merkel, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, e o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau.

No meio de acusações mútuas de violação do cessar-fogo entre Kiev e as milícias pró-russas, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, acusou o governo ucraniano de tentar agravar a situação na região do Donbass para envolver Moscovo “em algum tipo de ação militar”.

A exemplo do que aconteceu em abril, a imprensa norte-americana denunciou a concentração de forças militares na fronteira com a Ucrânia, tendo o Kremlin respondido que a Rússia “não ameaça ninguém”.

As violações de cessar-fogo cada vez mais frequentes no leste da Ucrânia - onde as forças ucranianas lutam contra separatistas apoiados pela Rússia há sete anos - e um aumento da presença militar russa na fronteira, naquele mês, alimentaram temores de novas hostilidades e causaram preocupações ucranianas e ocidentais.

Os EUA e a NATO disseram, na ocasião, que o aumento de tropas na fronteira foi o maior desde 2014, quando a Rússia anexou a península da Crimeia e deu apoio aos separatistas na zona de Donbass, no leste da Ucrânia.

Mais de 14 mil pessoas foram mortas em sete anos de combates entre as tropas ucranianas e os separatistas apoiados pela Rússia.

/ AG