O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, pediu, no sábado, desculpas em nome do estado, aos familiares dos 43 estudantes de Ayotzinapa que desapareceram há seis anos sem deixar rasto.

Numa cerimónia no Palácio Nacional, Obrador, que quando tomou posse relançou a investigação sobre o sucedido naquela noite de 26 de setembro de 2014, salientou que as desculpas eram devidas por se estar “perante uma grande injustiça cometida pelo estado mexicano”.

López Obrador assegurou que o desaparecimento dos jovens “foi um assunto de estado” porque terá havido envolvimento de polícias locais e federais, bem como de militares, pelo que o estado “tem de reparar o dano e esclarecer o que sucedeu”.

Nesse sentido, o chefe de estado prometeu que não haverá impunidade e garantiu que foram emitidas ordens de captura contra membros do exército, criticando a “corrupção” de alguns juízes que libertaram vários suspeitos.

Quero reafirmar o compromisso de continuar o propósito de esclarecer os acontecimentos, de conhecer a verdade e de que saibamos o paradeiro dos jovens ao mesmo tempo que se castigam os responsáveis”, disse Obrador.

As famílias dos desaparecidos mostraram-se gratas, mas exigiram desenvolvimentos: “Dá-nos gosto ver que você é mais humano que os anteriores, mas pedimos-lhe que aperte mais um pouco, queríamos chegar a hoje com algo mais porque já são seis anos e não temos nada”, afirmou María Martínez Zeferino, que falou em nome dos familiares.

No sábado, o novo procurador especial para o caso, Omar Gómez Trejo, anunciou que a atual administração emitiu 70 mandados de captura contra polícias municipais e federais, membros do exército, funcionários da procuradoria e membros do crime organizado.

Trejo acrescentou que é procurado o ex-diretor da Agência de Investigação Criminal Tomás Zerón, que terá fugido para Israel.

Também este sábado, centenas de pessoas saíram à rua na Cidade do México para protestarem contra aquilo que dizem ser "mais 43" desaparecimentos. Envergando cartazes com as fotografias dos jovens e enfrentando um cordão de segurança policial, muitos escreveram "mais 43" nas portas do Palácio Nacional.

Na noite de 26 para 27 de setembro de 2014, os estudantes da designada escola normal rural de Ayotzinapa, que tinham ocupado cinco autocarros para garantirem a participação numa manifestação na capital federal, foram atacados por agentes da polícia municipal de Iguala sob as ordens do presidente do município local.

Segundo as autoridades, os polícias entregaram de seguida os estudantes a membros do cartel dos Guerreros Unidos, que os terão confundido com membros de um cartel rival e optado por matá-los, incinerando depois os corpos numa lixeira.

No entanto, peritos independentes da Comissão interamericana dos direitos humanos contestaram esta versão num relatório divulgado em 2015.

/ Publicado por António Guimarães