Três menores morreram e dois outros ficaram feridos num acidente com uma mina antipessoal, o segundo numa semana, na província angolana do Huambo, informou hoje a polícia local.

O acidente, ocorrido na sexta-feira, ocorreu na comuna de Chipipa, a 22 quilómetros da cidade do Huambo, quando os adolescentes, com 15 anos, acenderam uma fogueira "num espaço ermo, onde existia um engenho não determinado", segundo fonte policial citada pela agência noticiosa angolana, Angop.

Os três menores morreram no local e os dois sobreviventes estão sob cuidados intensivos no Hospital Central do Huambo.

Na semana passada, duas crianças morreram e duas outras ficaram gravemente feridas, tendo uma delas vindo a falecer depois no hospital, devido à explosão de um morteiro de RPG-7 que estava no local onde os menores acenderam uma fogueira.

O acidente registou-se no município do Ukuma, província do Huambo, e atingiu crianças com idades entre os 10 e 13 anos.

Os acidentes relatados, este ano, pela imprensa local dão conta de um total de seis mortos e 17 feridos provocados por minas.

Em junho, um acidente com uma mina causou na província de Benguela o ferimento a cinco crianças da mesma família e, em maio, nove menores ficaram também feridos, na província do Bié, pela mesma causa.

Recentemente, o diretor do Gabinete de Intercâmbio da Comissão Nacional Intersectorial de Desminagem e Assistência Humanitária (CNIDAH), Adriano Gonçalves, disse que a província do Huambo, juntamente com a de Malanje, poderia ser, brevemente, declarada livre de minas.

O responsável, que falou em junho deste ano, ao Jornal de Angola, referiu que nos últimos anos não se tinham reportado novas áreas afetadas por minas naquelas províncias.

"Quando forem declaradas livres de minas, não significa que não possam surgir, no futuro, áreas minadas ou artefactos de minas antipessoal", realçou, na altura, o responsável.

Angola, que solicitou, pela segunda vez, a prorrogação do prazo de desminagem, até 31 de dezembro de 2025, viveu mais de três décadas de guerra civil, com vários intervenientes, que foram minando o país.

Para os próximos sete anos, o país precisa de 325 milhões de dólares para desminar em média 17 milhões de metros quadrados, gastando 53 milhões de dólares ao ano.

Atualmente, as províncias com maior incidência de minas são o Cuando Cubango (267 áreas afetadas), Moxico (194), Cuanza Sul (135) e Bié (125).