A polícia angolana dispersou esta terça-feira, com gás lacrimogéneo, cerca de uma centena de jovens que se encontravam concentrados em frente ao Tribunal Provincial de Luanda e bloquearam as ruas de acesso ao edifício.

Este é o segundo dia em que o espaço circundante do tribunal, o Palácio Dona Ana Joaquina, na baixa de Luanda, é ocupado por jovens que exigem a libertação dos manifestantes detidos no sábado, e prometiam manter-se no local até à noite.

No entanto, viram frustrada esta intenção cerca das 18:00 quando a Polícia de Intervenção Rápida (PIR) foi mobilizada e dispersou os jovens, que tinham avançado pelas ruas adjacentes ao tribunal e tentaram impedir a circulação automóvel usando pneus e contentores, enquanto alguns se sentavam na estrada.

No confronto, os manifestantes arremessaram pedras e outros objetos, que danificaram viaturas que se encontravam nas proximidades, e ficaram espalhadas pela estrada. A polícia reagiu disparando bombas de gás lacrimogéneo e levou alguns dos jovens.

Os manifestantes mantiveram-se no local toda a tarde, gritando palavras de ordem contra o MPLA e os “marimbondos” e exibindo faixas com os dizeres “O desemprego marginaliza” e cartazes.

“Se lhes condenarem, Luanda pega fogo”, “soltura”, “liberdade” apelaram os jovens, entre apitos e palmas, frente a um cordão policial que hoje foi alargado para o edifício em frente ao tribunal, o Ministério das Relações Exteriores (MIREX).

No interior do tribunal, os acusados começaram a ser ouvidos cerca das 13:00, após as instalações serem desinfetadas e terem sido criadas condições sanitárias para se iniciar o julgamento.

Segundo um dos advogados do processo, dois manifestantes testaram positivo à covid-19, estando um deles ainda detido e a aguardar julgamento, embora tenha sido entretanto isolado.

Os manifestantes são acusados de desobediência ao decreto presidencial 276/20 que estabeleceu medidas mais restritivas no âmbito da prevenção da covid-19, quatro crimes de ofensas corporais voluntárias e dois crimes de danos voluntários sobre bens da Polícia Nacional.

/ RL