Um navio que transportava cerca de 14600 ovelhas para a Arábia Saudita afundou no Mar Negro, após deixar o porto romeno de Midia. O incidente aconteceu no dia 24 de novembro, mas ganha relevo na sequência do eurodeputado do PAN ter pedido explicações a Bruxelas.

O PAN avançou, na passada sexta-feira, em comunicado, que Francisco Guerreiro questionou a Comissão Europeia sobre o incumprimento do Regulamento (CE)1/2005, relativo à proteção dos animais durante o transporte.

Segundo o comunicado, eurodeputado questiona também se a Comissão iniciará procedimentos de infração contra a Roménia pelo incumprimento deste Regulamento e por "ignorar grosseira e reiteradamente as regras de bem-estar animal comunitárias".

De acordo com as informações dadas pela porta-voz dos serviços de resgate à agências de notícias AFP, a bordo da embarcação ia uma tripulação de 21 pessoas, que foi resgatada. No entanto, as equipas de salvamento apenas conseguiram salvar 300 dos 14600 ovinos a bordo.

A principal associação de criadores e exportadores de ovelhas da Romênia, a Acebop, pediu uma investigação urgente do incidente.

A nossa associação está chocada com o desastre", afirmou a presidente da Acebop, Mary Pana, em comunicado.

Gabriel Paun, da ONG Animals International, alegou que o navio estaria sobrecarregado. Gabriel Paun avançou que o Queen Hind já teria tido problemas no motor em dezembro do ano passado . "Uma investigação deve ser aberta sem demoras", disse à AFP.

Se não podemos proteger os animais durante o transporte de longa distância, devemos proibi-lo completamente."

 

A Roménia é o terceiro maior criador de ovinos da União Europeia, depois do Reino Unido e da Espanha, e um dos principais exportadores, principalmente para os mercados do Médio Oriente.

Os ativistas chamam as embarcações de transporte de ovelhas de "navios da morte" e denunciam que há o risco de as ovelhas serem cozidas vivas a bordo durante os meses quentes do verão. Todos os anos partem de Mindia cerca 100 navios de transporte de ovinos.

Em julho deste ano, Vytenis Andriukaitis, então comissário europeu encarregado da saúde e segurança alimentar, exigiu que Bucareste suspendesse o transporte de 70 mil ovelhas para os países do Golfo Pérsico, citando motivos de bem-estar animal.

Rafaela Laja