António Modesto da Silveira, considerado o advogado que mais defendeu presos políticos e familiares de desaparecidos e sequestrados pelo regime ditatorial brasileiro de 1964-1985, morreu hoje, aos 89 anos, no Rio de Janeiro.

No comunicado ao anunciar a morte, a Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB/RJ) destacou que o nome "está profundamente ligado à defesa das liberdades democráticas".

O presidente da OAB/RJ, Felipe Santa Cruz, referiu que António Modesto da Silveira "foi advogado no período mais terrível da nossa história, defensor dos perseguidos políticos", e "foi deputado federal eleito basicamente pelos defensores da amnistia, das liberdades", pautando-se sempre "por uma conduta ética de grande correção".

Pessoalmente, tenho muita gratidão, pois ele foi advogado da minha família durante a ditadura, do caso do desaparecimento do meu pai. Um homem que deixou como exemplo um modelo de advocacia para que possamos seguir", acrescentou.

Natural de Uberaba, município do Estado de Minas Gerais, e filho de lavradores sem-terra, António Modesto da Silveira foi para o Rio de Janeiro para terminar o ensino secundário e ali se formou em Direito, terminando o curso dois anos antes de começar a defender presos e sequestrados políticos, logo em 1964.

No início dos anos 1970, tornou-se advogado voluntário da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Foi também membro do Conselho Brasileiro da Defesa da Paz (Condepaz), do Conselho Mundial da Paz (CMP) e da Comissão de Ética Pública do Governo federal, entre outras atividades que exerceu em defesa dos direitos humanos.

O advogado foi eleito deputado federal pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em 1978, tendo sido ainda um dos articuladores da Lei de Amnistia, aprovada no ano seguinte.

"A sua plataforma baseava-se, entre outros pontos, na defesa do estabelecimento de uma Assembleia Nacional Constituinte, na luta pela amnistia, pelo fim da censura, pela autonomia e liberdades sindicais e pelo direito de greve, segundo a OAB/RJ.