A saída do Reino Unido da União Europeia vai acontecer “dentro do prazo”, prometeu esta quinta-feira a primeira-ministra britânica, Theresa May, após ter-se reunido com os presidentes das instituições europeias, em Bruxelas.

O meu trabalho é concretizar o ‘Brexit’ e concretizá-lo dentro do prazo, e vou negociar duramente nos próximos dias para o conseguir”, declarou à imprensa, a menos de dois meses da data da saída do Reino Unido do bloco comunitário, agendada para 29 de março.

Theresa May encontrou-se em Bruxelas com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, e do Conselho Europeu, Donald Tusk.

Sem "avanços decisivos"

Por seu lado, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, assumiu que não há “avanços decisivos à vista” no impasse da saída do Reino Unido da União Europeia (UE), após ter-se reunido com a primeira-ministra britânica, Theresa May, em Bruxelas.

Encontrei-me com a primeira-ministra Theresa May para tentar ultrapassar o impasse no ‘Brexit’. Ainda não há avanços decisivos à vista. O diálogo continuará”, escreveu o político polaco na sua conta na rede social Twitter, minutos depois do final do encontro com a líder do Governo britânico.

"Catástrofe económica e humana”

O presidente do Parlamento Europeu considerou esta quinta-feira que União Europeia e Reino Unido se arriscam a “uma catástrofe económica e humana” caso o ‘Brexit’ aconteça sem acordo, declarando a disponibilidade da assembleia europeia para renegociar a declaração política.

Queremos agradecer a visita da primeira-ministra May. Foi uma reunião produtiva, mas estamos muito preocupados. Arriscamos uma catástrofe económica e humana, esta é a realidade no caso de um 'Brexit' sem acordo. Uma saída desordenada é uma solução muito perigosa”, assumiu Antonio Tajani.

Na sua comparência diante dos meios de comunicação em Bruxelas, depois de ter recebido a primeira-ministra britânica, Theresa May, o presidente do Parlamento Europeu enalteceu que a assembleia europeia apoia o acordo de saída já fechado entre Bruxelas e Londres, por ser a única solução que garante a saída ordenada do Reino Unido da União Europeia (UE), a paz na ilha da Irlanda e a integridade do mercado único.

Estamos abertos a ser mais ambiciosos na nossa relação futura, incluindo no tema da fronteira irlandesa, caso o Reino Unido esteja disposto a mudar algumas das suas linhas vermelhas”, ressalvou, sem adiantar mais detalhes.

Fronteira irlandesa

Coube ao coordenador do Parlamento Europeu para o ‘Brexit’, Guy Verhofstadt, detalhar a proposta do PE, revelando que a assembleia europeia está aberta a tornar a declaração política da relação futura entre a UE e o Reino Unido, que acompanha o texto do acordo de saída, mais “ambiciosa, vinculativa e precisa”, inclusive na cláusula do mecanismo de salvaguarda para a fronteira irlandesa, “explicando claramente que aquele é uma segurança e nada mais do que isso”.

A senhora May assegurou-nos que haverá um ‘backstop’, que não esta em cima da mesa remover o ‘backstop’, porque este é absolutamente necessário para preservar o Acordo de Sexta-feira Santa, a integridade do mercado único e também o processo de paz na Irlanda. Para nós, um ‘backstop’ a toda a prova é essencial e se há um problema com o ‘backstop’ como está no acordo de saída, a nossa proposta é tentar resolver o problema na declaração política”, esclareceu.

Guy Verhofstadt contou ainda que o PE reiterou que não pode haver um acordo com Londres no clima de incerteza política instalado no Reino Unido, no qual as maiorias se baseiam “em seis, sete, oito, nove votos”.

A cooperação entre os partidos é o caminho a seguir. Daí acolhermos com agrado que Jeremy Corbyn tenha escrito hoje à senhora May para oferecer uma solução interpartidária para o ‘Brexit’. É importante que isto leve a uma posição no Reino Unido que tenha uma maioria mais ampla possível para podermos concluir esta negociação”, realçou.

Segundo o político belga, um não acordo não é uma opção para o PE, “é um desastre para os dois lados”.

É uma irresponsabilidade que alguns políticos no Reino Unido estejam a apostar e a preferir um não acordo. Esta é posição que expressamos claramente em nome do PE”, concluiu.

No seu périplo por Bruxelas, Theresa May não conseguiu demover, até ao momento, nenhum dos líderes europeus, que reiteraram a sua indisponibilidade para renegociar o acordo de saída do Reino Unido do bloco comunitário, mas ainda assim abriram a porta a uma negociação dos termos da declaração política que regerá a futura relação entre as partes, nomeadamente no que diz respeito ao mecanismo de salvaguarda para a fronteira irlandesa.

O ‘Brexit’, agendado para 29 de março, encontra-se num impasse após o parlamento britânico ter ‘chumbado’, em 15 de janeiro, o acordo do ‘Brexit’ fechado entre Londres e Bruxelas em novembro.