Merecem pagar por tudo aquilo que lhe fizeram. Arruinaram a sua vida”, as palavras são de Graciela Sousa, mãe de Fernando Báez Sosa, o rapaz assassinado no dia 19 de janeiro por um grupo de jogadores de râguebi em Villa Gesell, Buenos Aires, na Argentina.

Na madrugada de sábado, Fernando estava numa discoteca com um grupo de amigos do colégio secundário do bairro de Caballito. Perto dele, estava outro grupo de jovens, de idades entre os 18 e os 20 anos, jogadores do clube amador de râguebi de Zaraté.

A origem do conflito entre os dois grupos não se sabe ao certo, mas a confusão gerada pelos jovens levou os seguranças a expulsá-los do estabelecimento para que resolvessem a discussão na rua. 

Segundo o diário argentino La Nación, a vítima e os amigos estavam sentados na calçada à espera que o resto o grupo saísse da discoteca, quando os jogadores de râguebi avançaram em direção a Fernando.

 
Fernando Báez Sosa morreu vítima de um traumatismo cranioencefálico (Facebook)
 

Enquanto alguns agressores o esmurravam e o pontapeavam na calçada, outros mantinham os companheiros da vítima afastados para que não interviessem. Quando perceberam que a vítima estava inconsciente, abandonaram o local.

Em Villa Gesell só estava uma ambulância de serviço e testemunhas disseram que demorou mais de meia hora a chegar ao local. Fernando acabou por morrer no hospital, vítima de um traumatismo cranioencefálico.

Graciela Sousa disse à imprensa local que a última vez que falou com o filho foi através de uma troca de mensagens.

Perguntei-lhe como estava e ele respondeu-me que se sentia bem, Disse-me: ‘mamã, gosto muito de ti’. Essa foi a última vez que falei com ele”, disse entre lágrimas.

Graciela Sousa explicou que Fernando era filho único e que se tinha inscrito recentemente na Universidade de Buenos Aires para estudar Direito. Recorda-o como um “rapaz bom, decente e generoso". "Não merecia isto.”

 
A vítima com a mãe e o pai (Facebook)
 

Depois de visitar os pais da vítima, o ministro da Segurança da província de Buenos Aires, Sergio Berni, pediu uma “condenação exemplar” contra o grupo de jogadores de râguebi e assegurou que a polícia tomou conta da situação de forma eficaz.

Este não é um caso isolado; há mais de 40 casos semelhantes a este por ano. A nossa obrigação é perceber como podemos fazer frente a este fenómeno”, admitiu Sergio Berni, sublinhando que esta morte é um exemplo do consumo excessivo de álcool entre os jovens.

A polícia anunciou que deteve onze rapazes de idades entre os 18 e os 20 anos, todos eles jogadores do Clube Náutico Arsenal de Zárate.

Até ao momento, todos os suspeitos negaram prestar declarações.

/ HCL