Abdul Hamid Youssef perdeu tudo no ataque químico que devastou a localidade síria de Khan Shaikhoun. Perdeu os filhos, de nove meses, perdeu a mulher, perdeu os irmãos, perdeu os sobrinhos, perdeu primos. No total, 25 familiares de Abdul morreram neste ataque. Emocionado, Abdul contou a sua história à CNN. 

A minha família inteira desapareceu”, desabafou.

Na terça-feira, o ataque acordou-o do sono profundo. Quando despertou, sentiu dificuldades em respirar. Saltou da cama e foi a correr ver como estavam os filhos, gémeos, de nove meses. Aparentemente, estavam bem. Levou-os para junto da mulher, a quem disse para não sair de casa.

Abdul saiu à rua para ir até à casa dos pais. Lá fora, muitas pessoas desmaiavam, outras estavam caídas no chão. Quando chegou a casa dos pais, encontrou os dois irmãos sem vida. O momento era de choque e de desespero. Correu para casa, para junto da mulher e dos filhos, mas o que encontrou depois foi um cenário desolador.

Eles tinham espuma na boca, estavam a ter convulsões. Estavam todos no chão. Os meus filhos, Ahmad e Aya, a minha mulher… foram martirizados," disse, comovido.

Abdul perdeu 25 familiares neste ataque.

Os meus irmãos, os seus filhos, primos. Perto de 25 membros da minha família foram martirizados.”

Os familiares de Abdul estão entre as vítimas mortais do ataque químico que devastou a localidade de Khan Shaikhoun, na província de Idlib, e que terá sido o mais mortífero dos últimos anos no país.

Cerca de 70 pessoas morreram, incluindo muitas crianças. Centenas de pessoas ficaram feridas. Muitas famílias foram destroçadas. Famílias como a de Abdul e a do seu primo Mazin Yusif, de apenas 13 anos.

Mazin, que se encontra num hospital a recuperar do ataque, também contou a sua história à CNN. Na terça-feira, perdeu perto de 19 familiares.

Disseram-me que o meu avô morreu, os meus primos, os seus filhos.”

No dia do ataque, viu "uma explosão" em frente à casa do avô. Foi até lá descalço e ainda viu o avô em agonia, mas acabou por desmaiar. Quando acordou, já estava numa cama.

Pelas 6:30 houve um ataque. Vi a explosão em frente à casa do meu avô. Corri para a sua casa desclaço vi o meu avô a sufocar.  Depois comecei a ficar tonto. Quando acordei, estava numa cama sem roupas." 

O governo sírio nega responsabilidades no ataque. Alinhada com o regime de Bashar-Al-Assad, a Rússia também já veio afirmar que foram armas químicas dos rebeldes a provocar a tragédia. A maioria dos países, no entanto, acusa o regime de Damasco. Os Estados Unidos, de resto, já deixaram um aviso: a administração de Donald Trump vai agir contra os ataques químicos na Síria, se o Conselho de Segurança da ONU não o fizer.