Várias zonas residências da região de Nagorno-Karabakh foram atingidas este sábado por rockets e artilharia em larga escala, apenas horas depois de os Estados Unidos terem estado numa reunião com diplomatas da Arménia e do Azerbaijão, numa tentativa de resolver o conflito, que tem levado a confrontos armados nas últimas semanas.

O ataque das forças militares azeris levou a que a população de Stepanakert tivesse de se refugiar em abrigos, com várias equipas de emergência a acorrerem a diversos locais para extinguirem focos de incêndio.

Oficiais locais revelaram que a cidade foi atingida por rockets de longo alcance Smerch, popularizados durante a União Soviética.

As autoridades de Nagorno-Karabakh admitem que outras localidades foram atingidas pela artilharia azeri, mas não revelaram quaisquer informações sobre vítimas.

O Azerbaijão acusa a Arménia de ter atacado as cidades de Terter e Gubadli no início deste sábado, o que terá resultado na morte de um adolescente. As mesmas fontes acrescentaram ainda que um menino de 13 anos morreu na sequência de ferimentos sofridos após um ataque em Ganja.

Depois de duas tentativas falhadas da Rússia para tentar chegar à paz, foi a vez de os Estados Unidos intervirem diretamente no assunto, com o secretário de estado Mike Pompeo a receber os ministros dos Negócios Estrangeiros de ambos os países.

O representante norte-americano apelou a um cessar-fogo, mas as suas palavras acabaram por ser ignoradas este domingo.

Apesar de o conflito ter terminado em 1994 e de ter sido sucedido de um cessar-fogo, as tensões na região separatista de Nagorno-Karabakh permaneceram ao longo dos anos, tendo subido de tom, com as partes a trocarem acusações sobre quem iniciou as hostilidades.

Nagorno-Karabakh é um enclave etnicamente arménio dentro do Azerbaijão, que tem estado fora do domínio deste último país desde o fim da guerra em 1994.

Ambos os lados têm uma forte presença militar ao longo de uma zona desmilitarizada que separa a região do resto do Azerbaijão.

O conflito Arménio-Azerbaijão data dos tempos soviéticos, quando em finais dos anos 80 a população do território do Azerbaijão de Nagorno-Karabakh, povoado maioritariamente por arménios, pediu para este ser incorporado na vizinha Arménia.

Foi este o mote para a guerra, que durou vários anos e casou cerca de 25 mil mortos.

No final, as forças arménias assumiram o controlo de Karabakh.

O Azerbaijão defende que a solução do conflito com a Arménia envolve necessariamente a libertação dos territórios ocupados, uma exigência que tem sido apoiada por várias resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A Arménia, por seu lado, apoia o direito à autodeterminação de Nagorno-Karabakh, defendendo a participação dos representantes do território separatista nas negociações para a resolução do conflito.

O confronto acabou por ser reacendido a 27 de setembro.

António Guimarães / com Lusa