A mãe ia apenas na 20ª semana de gestação quando a notícia que não queria ouvir chegou. O coração da sua bebé batia a 300 pulsações por minuto, quando o normal seria metade, 150. Maria começou a lutar pela vida ainda dentro da barriga.

O tratamento começou nessa altura, mas sem os efeitos desejados. A menina acabou por nascer prematura, às 30 semanas. Pesava apenas 1,310 quilogramas e, nessa altura, tinha 200 de pulsação. Ainda não tinha chegado a este mundo e o seu coração tinha entrado numa espécie de curto circuito, que continuou também ao ver a luz do dia.

Acabou por ser operada com dez dias de vida, no hospital Sant Joan de Déu, em Barcelona. Uma ablação cardíaca queimou a veia que estava a descontrolar o circuito do coração. Foi a primeira vez, em todo o mundo, que esta cirurgia foi realizada a um bebé tão pequeno.

O cardiologista Josep Brugada, também diretor da unidade de arritmias daquele hospital - uma referência em arritmias pediátricas em Espanha - recordou ao El País como Maria era "extremamente prematura e pequena" e explicou que o seu coração media "menos de dois centímetros", com veias de "um milímetro de diâmetro". 

É fácil deduzir como se tratou de uma cirurgia delicada, embora rápida: não durou mais do que 20 minutos. Havia vários riscos e foi difícil introduzir o catéter numa veia femoral de apenas um milímetro, até ao minúsculo coração, mas correu tudo bem. A taquicardia parou "imediatamente" e "a rede elétrica do coração foi normalizada"

Foram semanas de angústia dentro da barriga e uma luta de mês e meio já depois de nascer. Agora, a pequena Maria tem finalmente um coração saudável.