Cerca de mil pessoas manifestaram-se hoje em Kiev para exigir o afastamento do ministro do Interior Arsen Avakov, na sequência de diversos escândalos que envolvem a polícia.

Os manifestantes, na maioria jovens e com máscaras de proteção devido à pandemia do novo coronavírus, exibiram tochas incendiárias e danificaram um antigo veículo da polícia, que transportaram para o desfile.

Quem me vai proteger?”, “0% de confiança. Avakov, rua!”, ou ainda “Não sejam cúmplices de violações, mortes, violências e abusos, exijam a destituição de Avakov!”, indicavam diversas faixas e cartazes.

A polícia ucraniana é regulamente acusada de abusos. Um recente caso chocou particularmente a Ucrânia: A violação e tortura de uma jovem mulher num comissariado do centro do país.

Dois polícias foram detidos e a unidade dissolvida, mas sem que fossem decretadas medidas mais amplas para prevenir estas abusos.

A atuação policial ficou ainda em causa após um tiroteio que ocorreu em pleno dia entre dezenas de membros rivais de uma máfia de transportes perto de Kiev, seguida no início de junho de outra violenta troca de tiros num enorme mercado perto de Odessa (sul).

O ministro do Interior, convocado hoje pelo parlamento e citado pelos media, denunciou as “insinuações” dos seus adversários e apelou a “que não se acuse a generalidade dos polícias devido a alguns canalhas”.

“Não escondemos nada” e “reagimos depressa e severamente” a este género de “vergonhosos incidentes”, afirmou, assegurando ainda que acompanha o registo dos polícias nas diversas esquadras.

Em 2015 as autoridades ucranianas promoveram uma reforma da polícia nacional com o apoio dos países ocidentais, mas segundo diversos analistas este projeto fracassou na generalidade.

/ BC