A justiça italiana autorizou o empréstimo da obra “O Homem de Vitrúvio”, de Leonardo Da Vinci, ao Museu do Louvre, em Paris, para que esta seja exposta no âmbito do 500.º aniversário da morte do mestre renascentista italiano.

O Tribunal Administrativo Regional do Véneto, região italiana onde se situa Veneza, declarou “totalmente legal” esta transferência artística da obra para França, segundo o ministro da Cultura de Itália, Dario Franceschini, citado pela agência EFE.

Agora pode começar a grande operação cultural italo-francesa com duas mostras de Leonardo em Paris e de Rafael em Roma”, afirmou o governante.

Esta e outras obras de instituições públicas italianas deveriam ser cedidas a Paris, no âmbito de um acordo entre os dois países, que também previa o empréstimo a Itália de algumas pinturas de Rafael, nos 500 anos da morte deste mestre da Renascença, a assinalar em 2020.

 

 

No entanto, na semana passada, o Tribunal Administrativo Regional de Veneza aceitou um recurso urgente apresentado por uma associação italiana sem fins lucrativos, Italia Nostra, dedicada à preservação do património histórico e artístico, que argumentou que a obra não podia sair do país, devido ao grau de degradação que poderia sofrer.

A Justiça italiana considera agora que o recurso daquela associação “não apresenta fundamentos suficientes”.

O Museu do Louvre, o mais visitado do mundo, inaugura, no próximo dia 24, uma exposição dedicada a Leonardo Da Vinci, que inclui a obra “Rapariga lavando os pés a uma criança”, da coleção da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP).

A diretora da FBAUP, Lúcia Almeida Matos, disse à Lusa, em janeiro, enquanto exemplo dos empréstimos nacionais e internacionais solicitados à coleção de arte da faculdade, que o desenho de Leonardo Da Vinci vai ser exibido no Museu do Louvre, depois de ter estado na Holanda, na mostra do Museu Teyler, em Haarlem, dedicada aos principais desenhos sobreviventes do mestre da Renascença.

Segundo a página do Louvre na internet, esta exposição reunirá "um grupo exclusivo" de obras de Da Vinci, entre pinturas, desenhos e esculturas, com origem em diferentes instituições, que se juntarão às "grandes pinturas" da coleção do Louvre, como "Mona Lisa", "A Virgem e Santa Ana", "Baco" e "São João Baptista".

 

 

O Louvre recorda que Leonardo Da Vinci abandonou Itália após a morte do seu patrono, Giuliano de Medici, tendo chegado ao Castelo de Clos Lucé, em Ambroise, em novembro de 1516, onde permaneceu até à sua morte, três anos depois.

É por isto que o Louvre detém quase um terço das suas pinturas: aquelas que ele trouxe para França foram adquiridas por François I e entraram para as coleções reais, que provavelmente já incluíam ‘A Virgem dos Rochedos’ e ‘La Belle Ferronnière’, adquiridas por Louis XII. Este excecional conjunto de pinturas, que constituiu o começo das coleções do Louvre, foi suplementado por 22 dos desenhos do artista”, explica o museu.

Segundo o Louvre, a exposição vai incluir uma “grande seleção de desenhos e um pequeno, mas significativo, grupo de pinturas e esculturas que vão fornecer algum contexto tangível”.

O Reino Unido garantiu igualmente o empréstimo de obras de Leonardo da Royal Collection, do British Museum e da National Gallery, que possui a célebre versão de “A Virgem dos Rochedos”, que emparceira com a detida pelo Louvre.

Quanto à obra “Salvator Mundi”, comprada em leilão de forma anónima pela quantia recorde de 403 milhões de euros, mas cuja autenticidade tem sido questionada, a presença permanece incerta

No final de março, o New York Times indicava que o Louvre Abu Dhabi, onde o quadro deveria ficar exposto, desconhece o paradeiro da pintura, e o Art Newspaper noticiava, no passado dia 30 de setembro, que o empréstimo da obra não tinha sido garantido pelo museu francês.

Para acesso ao "Hall Napoléon" do Louvre, que vai acolher a "exposição excecional de Leonardo Da Vinci", como o Museu a define, vai ser necessário reservar antecipadamente os bilhetes - uma medida destinada a controlar o número de visitantes.

A mais de uma semana de abertura da exposição, as entradas já se encontram esgotadas até ao final do mês, havendo apenas possibilidade de aquisição de bilhetes apenas para as 13:30, do dia 27, e para as 11:30 e 14:30, do dia 28.

As entradas também estão prestes a esgotar, para o início de novembro, com o dia 01 a permitir aquisição de bilhetes apenas para as 18:30 e, no dia 03, para horários a partir das 12:00. Para o dia 02 de novembro já não há bilhetes disponíveis.

“Leonardo Da Vinci” fica patente, no Museu do Louvre, até 24 de fevereiro.