O presidente do Afeganistão pediu esta quarta-feira ajuda ao mundo para terminar com o conflito de quase duas décadas e alcançar a paz no país devastado pela guerra, através das negociações com os talibãs.

Ashraf Ghani fez o apelo durante o seu discurso gravado na Assembleia Geral das Nações Unidas, onde realçou que o Afeganistão enfrenta “múltiplos fatores de turbulência ao mesmo tempo”.

O chefe de Estado destacou, no entanto, que “a paz continua a ser a prioridade mais urgente e importante”, noticia a agência AP.

Uma coligação internacional liderada pelos Estados Unidos retirou os talibãs do poder no Afeganistão em 2001, por abrigarem Osama bin Laden, o arquiteto dos ataques terroristas de 11 de setembro nos EUA.

O Governo norte-americano, liderado por Donald Trump, assinou um acordo de paz com os talibãs em fevereiro e as negociações, após adiamentos, começaram finalmente em 12 de setembro.

Nas negociações, Ashraf Ghani sublinhou que “o povo afegão tem uma prioridade clara e urgente: um cessar-fogo”.

O líder apelou também aos outros 192 membros da Assembleia Geral da ONU para ajudarem a alcançar um “Afeganistão soberano, unido e democrático”.

Ashraf Ghani lembrou ainda que atingir esse objetivo mostraria “como a vontade coletiva pode superar a turbulência e a incerteza que definem o mundo de hoje”.

As conversações de paz, com a tímida mediação do Qatar, foram adiadas em seis meses devido a desacordos profundos sobre a troca de prisioneiros entre os rebeldes e o Governo, é pouco provável que tenham um desfecho rápido, não tendo sido estabelecidos prazos para a sua duração.

A troca de prisioneiros (cerca de 5.000 talibãs contra mil membros das forças afegãs), prevista no acordo entre os rebeldes e os Estados Unidos, foi um primeiro obstáculo, atrasando as negociações.

As autoridades afegãs finalmente libertaram os últimos 400 insurgentes e vários países, incluindo a França e a Austrália, protestaram contra a sua libertação.

O conflito afegão matou dezenas de milhares de pessoas, incluindo 2.400 soldados americanos, e forçou milhões a fugir.

/ RL