Mali: presidente de transição sofre tentativa de ataque com faca - TVI

Mali: presidente de transição sofre tentativa de ataque com faca

  • Agência Lusa
  • CM
  • 20 jul 2021, 12:25
Soldados fazem motim no Mali

Coronel Assimi Goita tomou posse como presidente do Mali durante um período de transição, que deverá devolver o poder aos civis, após dois golpes de Estado condenados pelos principais parceiros do país, fundamental para a estabilidade do Sahel

O presidente de transição do Mali, Assimi Goita, sofreu hoje uma tentativa de ataque com faca quando se encontrava na Grande Mesquita em Bamako a participar no rito muçulmano de Eid al-Adha, a Festa do Sacrifício.

Segundo a agência AFP, duas pessoas tentaram apunhalar o coronel Assimi Goita, que foi retirado do local, sem que se mostrasse ferido.

Foi depois da oração e do sermão do imã [...] que o jovem tentou apunhalar Assimi (Goita) por trás, mas (foi) outra pessoa que ficou ferida”, confirmou à AFP Latus Tourè, mordomo da grande mesquita.

Em 7 de junho, o coronel Assimi Goïta tomou posse como presidente do Mali durante um período de transição, que deverá devolver o poder aos civis, após dois golpes de Estado condenados pelos principais parceiros do país, fundamental para a estabilidade do Sahel.

O Mali, foco central do jihadismo na região do Sahel, foi cenário de duas tomadas do poder em nove meses por parte de Assimi Goita e do seu grupo de coronéis.

No primeiro dos golpes militares, em 18 de agosto de 2020, os militares derrubaram o então presidente Ibrahim Boubacar Keita, enfraquecido por meses de protestos liderados pelo Movimento 5Jun/Reunião das Forças Patrióticas (M5/RFP), um grupo de opositores, membros do clero e elementos da sociedade civil.

Sob pressão internacional, a junta militar que assumiu na altura o poder comprometeu-se a um período de transição limitado a 18 meses e liderado por civis.

Em 24 de maio, porém, o coronel Goita, que se manteve sempre como o verdadeiro homem forte do governo de transição, deitou por terra o anterior compromisso e mandou prender o presidente interino e o primeiro-ministro transitório, ambos civis.

Desde então, o oficial assumiu-se como presidente interino, uma decisão caucionada pelo Tribunal Constitucional do país.

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