A vacina que está a ser preparada pela Universidade de Oxford (Instituto Jenner) continua "dentro do previsto" para poder ser comercializada já em setembro, garantiu o vice-presidente executivo da AstraZeneca, Mene Pangalos, em declarações prestadas terça-feira no congresso norte-americano.

O neurocientista britânico alertou, porém, que esta é uma data que pode sofrer alterações devido à evolução da doença.

Na mesma audição, onde estiveram representantes das principais farmacêuticas que estão a produzir vacinas contra a Covid-19, o porta-voz da AstraZeneca garantiu, também, que a sua empresa não vai lucrar com a venda da vacina, que será disponibilizada a preço de custo.

Não ficou, claro, porém, se Mene Pangalos se referia à situação particular dos Estados Unidos, o país mais afetado pela pandemia, ou se apenas não generalizou por estar a falar no congresso.

Os congressistas norte-americanos quiseram ouvir as farmacêuticas sobre a situação em que se encontram os diferentes ensaios clínicos, para aferirem de prazos, preços e disponibilidade no mercado.

A AstraZeneca adiantou, ainda, que, relativamente à sua vacina, esta terá um "efeito duradouro", que poderá ser de "um a dois anos".

Mene Pangalos revelou, também, que a vacina da AstraZeneca vais ser testada em duas doses na fase final dos ensaios.

"Neste momento, a coisa mais segura a fazer é avançar com duas doses e só depois vamos explorar doses únicas ou mais baixas", indicou o vice-presidente executivo.

As farmacêuticas ouvidas - Merck, Pfizer, Johnson & Johnson e Moderna - garantiram, ainda, aos congressistas norte-americanos que a vacina não será produzida nem terá materiais fabricados na China, devido às tensões comerciais e políticas entre os dois países, com a AstraZeneca a ressalvar que a mesma garantia não poderá ser dada a toda a sua produção.

Na segunda-feira, num artigo publicado na revista The Lancet, cientistas da Universidade de Oxford afirmaram que os resultados preliminares dos testes à vacina contra a Covid-19 mostraram que provocou uma resposta imunitária em centenas de pessoas.

Catarina Machado