Pelo menos 40 pessoas morreram na sequência de um ataque aéreo que atingiu, na noite de terça-feira, um centro de detenção de migrantes nos arredores da capital líbia, Tripoli. O balanço foi feito peas autoridades esta quarta-feira. 

O porta-voz do Ministério da Saúde líbio, Malek Merset, informou que o ataque contra o centro de detenção de migrantes em Tajoura, a sul de Tripoli, também provocou 80 feridos.

Um balanço anterior apontava para 10 mortos e 50 feridos.

Em comunicado, o governo apoiado pela ONU já responsabilizou o Exército Nacional Líbio (ENL, do marechal Khalifa Haftar) pelo ataque.

Em abril, as forças lideradas pelo marechal Khalifa Haftar, o homem forte da fação que controla o leste da Líbia e que disputa o poder político líbio, lançaram uma ofensiva contra Tripoli, onde está o governo de Acordo Nacional, estabelecido em 2015 e reconhecido pela comunidade internacional (incluindo pelas Nações Unidas).

UE condena "horrível ataque" a centro de migrantes na Líbia e pede investigação

A União Europeia (UE) condenou o “horrível ataque” aéreo a um centro de migrantes perto de Tripoli e exigiu uma investigação ao raide.

A UE junta-se a um apelo da ONU para que seja aberta imediatamente uma investigação sobre a autoria deste horrível ataque”, declarou a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, em comunicado.

A violência contra civis, incluindo refugiados e migrantes, é completamente inaceitável e deploramo-la nos mais fortes termos”, acrescenta o comunicado.

Em abril, as forças lideradas pelo marechal Khalifa Haftar, o homem forte da fação que controla o leste da Líbia e que disputa o poder político líbio, lançaram uma ofensiva contra Tripoli, onde está o Governo de Acordo Nacional, estabelecido em 2015 e reconhecido pela comunidade internacional (incluindo pelas Nações Unidas).

ONU diz que ataque a migrantes na Líbia pode ser "crime de guerra"

O enviado da ONU à Líbia, Ghassan Salame, disse que o ataque aéreo a um centro de migrantes perto da capital, Tripoli, pode constituir “crime de guerra”, pedindo à comunidade internacional para o condenar.

Para o enviado da ONU à Líbia, “este ataque pode claramente ser um crime de guerra, atingindo inocentes”.

Ghassan Salame pediu à comunidade internacional para “condenar este crime e impor sanções apropriadas aos que realizaram esta operação em flagrante violação do direito internacional humanitário”.

Horas antes, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados já tinha pedido o fim imediato do retorno de migrantes à Líbia, reagindo ao ataque aéreo nos arredores de Tripoli.

O porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, Charley Yaxley, lembrou o aviso dado há dois meses sobre o perigo que os migrantes corriam ao estarem no centro de detenção de Tajoura, devido ao clima de violência em Tripoli.

Também o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, condenou a morte de pelo menos 44 migrantes num centro de detenção na Líbia e pediu uma investigação independente ao que considerou um "crime horrendo" contra civis.